Visões de São Paulo

Depoimentos sobre o que a megalópole tem de melhor. Por paulistanos ou não

Estadão.com.br,

24 Janeiro 2011 | 22h39

'Caipira em sua melhor tradição'

 

Por Ivam Cabral, ator e diretor do grupo Os Satyros

 

"Nasci em Ribeirão Claro, interior do Paraná, e já morei em vários lugares. Fora do Brasil, inclusive. Mas São Paulo foi a cidade que escolhi. Não viveria em nenhum outro lugar.

 

E desde sempre vivo na região central da cidade. Sou morador da Augusta. Meu prédio é um dos primeiros da rua.

 

Uma das coisas que mais amo nesta cidade é pedalar por suas ruas, em duas ocasiões: quando anoitece, ali pelas 19h, ou na madrugada. As ruas da Praça da Sé, do Viaduto Santa Efigênia, do Largo São Francisco, à noitinha, são pura poesia...

 

Ainda de bike, também adoro cruzar o Minhocão, da Praça Roosevelt em direção ao Parque da Água Branca.

 

Outro passeio que me encanta é andar a pé pela cidade. Então, caminhar pela região do Bom Retiro, do Parque da Luz, dos Campos Elísios é das experiências mais prazerosas que São Paulo pode oferecer.

 

Tem um segredo, porém. O caminhar por estes lugares merece um olhar pra cima e para o alto. E deve ser apreciado sem pressa.

 

Experimente pegar a Barão de Itapetininga, ali ao pé da Praça da República, e seguir em direção ao Largo do Arouche, depois vire à direita na Avenida São João em direção ao Anhangabaú. Mas não se esqueça de caminhar com os olhos voltados para o alto. Só assim você vai conseguir encontrar uma arquitetura de tirar o fôlego.

 

Nos últimos anos, no entanto, tenho traído o centro da cidade. Faz um tempo que me divido entre dois endereços. A Augusta e uma casinha em Parelheiros, extremo zona sul.

Uma linda casinha no meio do mato, à beira da Represa Guarapiranga, onde compartilho meus dias com tucanos, esquilos, macacos e até veados, pasmem!

 

Costumo dizer que tenho um paraíso particular. E lá, em Parelheiros, tenho descoberto mundos incríveis e inimagináveis."

 

'Sumaré: ponto de equilíbrio numa região tão central'

 

Por Marcelo Rosenbaum, designer

 

"Escolhi o Sumaré para morar, dentre outros motivos, porque a Cris, minha esposa, foi criada aqui e sua família ainda mora no bairro. Além disso, por ser próximo ao meu escritório, o que me garante qualidade de vida. Considero o bairro um ponto de equilíbrio numa região tão central. É arborizado e repleto de praças e espaços públicos que me passam tranquilidade.

 

Aos finais de semana, gosto de ir com minha família à Praça dos Eucaliptos - que fica num imenso quarteirão próximo à Avenida Heitor Penteado e à Rua João Moura. Para mim, a praça é um espaço democrático, que recebe um público variado ao longo do dia e com interesses diferentes. Lá, idosos, jovens e crianças andam de bicicleta, descansam, interagem, leem livros, brincam com seus cachorros e passeiam de bicicleta. É incrível!

 

Outro passeio cultural imperdível é a visita ao Colégio Alves Cruz, que realiza aos sábados ensaios de maracatu abertos ao público. O grupo chama-se 'Maracatu Bloco de Pedra' e a visita permite conhecer a dança, as toadas e os baques desta cultura. Um verdadeiro resgate das nossas raízes e, por isso, vale a pena conferir!

 

Na gastronomia, o restaurante Suruí (na Rua Prof. Afonso Bovero) e a Pizzaria Real (ao lado da MTV) são dos meus preferidos. Com culinária regional brasileira, o Suruí consegue ter um cardápio caseiro, mas sem ser tradicional. Já a Pizzaria Real tem, na minha opinião, a melhor pizza de padaria de São Paulo e é um passeio ótimo para um domingo à noite.

 

E, claro, sinto ainda uma mudança no perfil do público que escolhe o Sumaré para viver. Tradicionalmente formado por pessoas mais idosas, o bairro tem angariado novos moradores, estes por sua vez mais jovens. Diria que é um bairro com projetos incríveis para residências."

 

'Gosto da sensação de anonimato'

 

Por Pedro Herz, presidente do Conselho Administrativo da Livraria Cultura

 

"Moro no centro da cidade há 25 anos e adoro. Tenho tudo de que preciso à mão e posso me dar ao luxo de ir a e voltar a pé do trabalho - minha segunda casa, a Livraria Cultura do Conjunto Nacional - em pouco menos de meia hora.

 

Gosto da sensação de anonimato que o bairro República traz aos seus moradores e de me sentir apenas mais um entre tantos paulistanos apaixonados por este lugar.

 

Em casa, não me canso de admirar da janela a vista privilegiada de uma São Paulo que se estende até a Serra da Cantareira, onde a paisagem faz limite com o firmamento. Fora dela, costumo caminhar pelas ruas e avenidas sendo apresentado a novos lugares e reconhecendo antigas moradas, como o estimado Teatro Cultura Artística, do qual me orgulho em ser, não apenas Presidente da Diretoria, mas principalmente um grande amigo."

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