Carolina Mossin
Carolina Mossin

Visitas guiadas adotam figurino e expressões antigas

Novo modelo de tour pretende colocar o participante dentro da história narrada

Juliana Dióegenes, O Estado de S.Paulo

06 Junho 2018 | 03h00

Um novo modelo de visitas guiadas e roteiros turísticos tem ganhado espaço com a proposta de despertar nos participantes experiências mais próximas das histórias contadas durante o percurso. O método é simples, mas imersivo e requer planejamento: trata-se de usar um figurino e adotar expressões do período histórico abordado, e alguns deles incluem até mesmo utilizar técnicas teatrais, com recursos de dramatização. 

Em São Paulo hoje, há passeios envolvendo desde guias de turismo vestidos de pirata para encenar a chegada de corsários ao litoral santista até aqueles que se vestem com figurino da década de 1930 e declamam poesias em cemitério para resgatar hábitos antigos. 

E não são somente agências de turismo que estão adotando o chamado "roteiro imersivo" ou "economia da experiência". Instalada no Palacete Chavantes, um prédio histórico de 1927 localizado na Praça da Sé, no centro de São Paulo, a imobiliária Refúgios Urbanos deve lançar uma visita guiada no edifício. Nela, os três sócios se vestem de barões do café para contar a história da capital paulista por meio das memórias do espaço, que foi construído em 1934 por encomenda do cafeicultor e deputado João Batista Mello de Peixoto, primeiro prefeito do município de Chavantes. 

Segundo Octavio Pontedura, um dos sócios da imobiliária, a fantasia de barão de café é "uma brincadeira para ciceronear" os interessados em conhecer o Palacete. "A família que morou aqui e os construtores do edifício têm relação muito grande com o café. E foi o café que transformou a cidade de São Paulo de vila em metrópole", explica. 

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Foram confeccionadas, "do zero", três roupas para cada um dos sócios: além de Pontedura, Matteo Gavazzi e Almiro Dias. O trio contratou uma figurinista e pensou em um vestuário a partir de referências históricas que seriam de uma vestimenta formal do cafeicultor do final do século 19: polaina, sapato, relógio, correntinha, abotoadura e suspensório. 

"Muitos detalhes as pessoas não vão ver, tipo que não usamos cinto porque não era utilizado na época e que a calça tem uma abertura lateral. Mas a ideia é criar essa experiência. Tem um pouco de lúdico, de brincadeira, mas também a referência com a própria linha de história do prédio, passando pela relação da família que era dona do prédio com o café", diz o empresário. 

Vestidos de barões do café, os sócios vão conduzir a experiência pela parte externa, passando pelo hall de entrada do Palacete e seguindo pelos detalhes do 5º andar, onde funciona a empresa.

A ideia tem inspiração no Museu Tenement, em Nova York (EUA), que organiza experiências de imersão em prédios históricos, com roupas de época, para levar os participantes ao estilo de vida de décadas anteriores. 

A proposta de roteiro imersivo também passou a ser vista como vantajosa pela historiadora e guia de turismo Angela Arena, que atua no mercado de passeios históricos há pelo menos 20 anos. 

Para tentar se destacar em relação a outros roteiros que também são realizados no famoso Cemitério da Consolação, há dois anos Angela criou um sarau tour no local, em que se veste de mulher da década de 1930, para contar a história dos sepultados. Também incluiu a participação de um "poeta", que surge em meio às explicações declamando poesias relacionadas ao tema que está sendo exposto por ela ou ao personagem do túmulo. 

"Faço uma mistura com elementos que remetem ao século passado, quando as mulheres usavam chapéu. Vou com uma saia calça bem grande, então parece que estou com aquelas saias de época. Coloquei o figurino para chamar atenção, para dar ideia do antigo", explica a historiadora. "Antigamente, as pessoas frequentavam mais o cemitério. Havia esse saudosismo. Inclusive os poetas, que iam em busca de inspiração. Era uma prática antigamente. O sarau é uma forma de retomar esse costume da época."

O movimento que busca a imersão inspira até mesmo roteiros em cidades do litoral, como Santos. Também há dois anos, o agente de viagens Carlos Graffit, em parceria com a empresa Passeios Baratos, lançou a Rota dos Corsários. No roteiro, são contadas histórias de corsários e piratas na invasão de Santos. O guia se fantasia de pirata e, além disso, uma intervenção cultural ocorre com o monitor da Casa do Trem Bélico, o museu que conta a história dos corsários. Neste momento do roteiro, é feita uma intervenção em que é simulada a defesa do forte, com os participantes fazendo as vezes de soldados. 

"A ideia é que o passageiro tenha uma vivência dentro desse ambiente, transportando-o para dentro da temática", explica Graffit. "Geralmente também decoramos o ônibus com o motivo do tema, além de usar trilha sonora referente ao assunto. Usamos vários elementos para envolver as pessoas o máximo possível."

SERVIÇO

Experiência Chavantes 

Endereço: Rua Benjamin Constant, 171

Valor: R$ 50

Duração: 1 hora

Grupo: 10 a 15 pessoas

Contato: matteo@refugiosurbanos.com.br

 

Sarau Tour Cemitério da Consolação

Endereço: Rua da Consolação, 1660 - Consolação

Valor: R$ 35

Duração: 3 horas

Grupo: 10 a 20 pessoas

Contato: cenaspaulistas.turismo@gmail.com

 

Rota dos Corsários

Endereço: Santos - SP (a consultar)

Valor: R$ 195 (ônibus, almoço e travessia inclusos)

Duração: Das 8h às 18h

Grupo: 25 a 40 pessoas

Contato: graffit@graffit.com ou passeios@passeiosbaratosemsp.com.brU

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