Visitas em presídio onde está PCC caem 50%

Na data marcada para fuga de líderes, segurança é intensificada com medo de rebelião; mas mulheres relatam tranquilidade

CHICO SIQUEIRA/ENVIADO ESPECIAL PRESIDENTE VENCESLAU, O Estado de S.Paulo

02 Março 2014 | 02h04

O movimento de familiares de presos na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau caiu pela metade ontem, de acordo com os agentes penitenciários. A queda foi causada em parte pelo medo de uma rebelião no presídio e pelo intenso aparato policial demonstrado durante as visitas no final de semana anterior.

"Conheço duas amigas que viriam, mas ficaram com medo, porque tem muita polícia por aqui e elas temiam que ocorresse algum distúrbio", disse uma mulher que se identificou por Luana e visitava o namorado.

Mesmo com a redução do número de visitantes, os agentes apertaram as revistas e até atrasaram a entrada de algumas pessoas. Três mulheres foram barradas pelo detector de metal, mas a Polícia Militar disse que nada foi encontrado com elas.

Apesar do clima, à tarde, ao deixarem a unidade depois das visitas, mulheres dos presos afirmaram que a situação dentro do presídio é de tranquilidade. Bem diferente das declarações que elas deram pela manhã, ao entrar, de que temiam a ocorrência de uma possível rebelião causada pela transferência de líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e que isso levasse a um novo Carandiru - uma alusão ao massacre de 111 presos em 1992.

Na P-2 de Venceslau estão detidos os principais líderes do PCC, como Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e era onde estava sendo planejado um audacioso plano de fuga com uso de helicópteros, conforme revelou o estado.com.br no dia 26. Para punir os detentos, o governo do Estado pediu a remoção de quatro líderes do PCC para o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), de Presidente Bernardes.

"Está tudo em paz, o pessoal nem sabia o que estava se passando aqui fora", disseram algumas visitantes. "Essas notícias de perigo de rebelião e de plano de fuga com helicóptero é coisa da mídia", disse outra. Apesar disso, o esquema de segurança do lado de fora do presídio, reforçado desde domingo passado, quando as forças de segurança se postaram para evitar que o plano de fuga fosse colocado em prática, continuava.

Hoje as visitas serão nas alas do presídio onde estão as principais lideranças do PCC, entre elas, o próprio Marcola e outros que participariam da fuga. Segundo uma visitante, eles estariam esperando conversar com familiares para decidir os próximos passos.

A inteligência das Polícias Civil e Militar e do Ministério Público de São Paulo estima que o Primeiro Comando da Capital (PCC) gastou R$ 500 mil em aulas de pilotagem de helicópteros e no aluguel de aeronaves para planejar o resgate de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e outros três líderes da facção. Eles deveriam ser levados para o Paraguai. Foram investidos R$ 300 mil em horas de voo em cursos. A facção queria treinar três integrantes. As aeronaves também poderiam ser usadas no transporte de armas, drogas e de dinheiro.

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