Vírus e golpes de computador viram alvos do Exército

Convênio entre militares e empresa da Espanha prevê defesa do País em eventual guerra cibernética, além de criação de antivírus

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2010 | 00h00

O Brasil terá, pela primeira vez, um programa de Estado para o combate das ameaças virtuais. O Exército anunciou ontem a assinatura de um convênio para a defesa do País em uma eventual guerra cibernética. A principal ameaça contra os militares é a mesma que infecta bancos e pessoas comuns: ladrões de senhas.

Segundo o general Antônio dos Santos Guerra Neto, comandante do Centro de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército (CCOMGEX), os militares vão defender diretamente apenas seus computadores. Mas participarão do desenvolvimento de antivírus que serão usados por computadores no mundo todo. De acordo com o general, o Exército vai trabalhar ainda para desativar os IPs (endereço na internet) de onde saem os vírus.

Os números sobre crimes na internet no Brasil impressionam: 11% de todos os spams do planeta partem do País, segundo a Symantec (maior fabricante de antivírus do mundo). Em 2009, as fraudes virtuais causaram prejuízo de R$ 900 milhões aos bancos, segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

O convênio do Exército foi firmado com a empresa Panda Security, com sede em Bilbao, na Espanha. Por dois anos, a Panda receberá todos os arquivos suspeitos que caírem nos antivírus do Exército e providenciará "vacina" para eles em até 24 horas. Serão 37,5 mil computadores enviando informações à Panda, ou 60% do total de máquinas em uso pelos militares. No futuro, essas "vacinas" poderão estar disponíveis ao cidadão comum por meio da atualização de programas de antivírus já em uso.

A empresa terá de treinar agentes do Exército que trabalham no Centro Integrado de Guerra Eletrônica. "Não há transferência de tecnologia oficial", diz Eduardo D"Antono, executivo da Panda. "O que há é a apresentação das ferramentas usadas para a resposta a esses ataques."

"O núcleo (de guerras virtuais) existe há pouco mais de um ano", diz o general Santos. Com 900 agentes, a unidade foi formada a partir de outros setores do Exército, incluindo áreas voltadas para interceptação de comunicações inimigas. O general diz que o objetivo final é a garantia dos sistemas de defesa do Brasil em casos como guerras e ameaças terroristas. "Teremos Copa do Mundo e Olimpíada em breve. Estaremos no foco de possíveis ameaças", diz.

O Exército previa gastar até R$ 14 milhões com o convênio, mas desembolsará R$ 292,5 mil. A diferença de valores é uma estratégia assumida pela Panda. O processo de escolha foi por meio de uma licitação por ata de registro de preços. Com ela, outros órgãos públicos podem evitar novas concorrências, usando o contrato do Exército. Segundo o general Santos, Marinha e Força Aérea devem adotar programas parecidos. Há ainda os órgãos civis das três esferas de governo.

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