Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE

Virado à paulista está à espera de ‘tombamento’

Prato que surgiu em São Paulo no século 18 e alimentou bandeirantes é candidato a patrimônio imaterial da cidade

Cristiane Bomfim e Felipe Tau, de O Estado de S. Paulo,

26 de setembro de 2011 | 22h45

 Arroz, tutu de feijão, bisteca, linguiça, couve, torresmo, banana à milanesa e ovo frito. Criado no século 18 em São Paulo e servido tradicionalmente às segundas-feiras, o virado à paulista é candidato a se tornar patrimônio imaterial da cidade. No dia 19, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) recebeu requerimento pedindo o registro do prato, o preferido dos bandeirantes.

 

Ele foi enviado pelo vereador Juscelino Gadelha (PSB), que também já protocolou outros cinco pedidos de patrimônio imaterial, entre os quais a festa de San Gennaro, na Mooca. “Hoje os botecos fazem bem menos virado à paulista. É importante que o prato seja tombado para preservar a tradição.”

 

Para o professor de Gastronomia da Faculdade Anhembi Morumbi, Ricardo Maranhão, tombar um prato significa resguardar sua importância cultural, além de preservar a receita original. “A importância é defender determinado padrão e garantir sua qualidade. No Brasil essa prática não é tão frequente, mas existe na Europa desde o século 12.”

 

Consumido pelos bandeirantes, que o levavam enrolado em lona - daí o nome “virado” -, o prato é servido em diversos restaurantes da cidade. No Sujinho, rivaliza com a famosa bisteca às segundas-feiras e custa R$ 25,50. 

 

Segundo a coordenadora de Registros do Departamento de Patrimônio Imaterial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Cláudia Vasques, a chance de o requerimento ser aprovado é pequena. “Comidas nunca viram patrimônio imaterial, mas a cultura que envolve um grupo na sua produção, como aconteceu com as baianas do acarajé.”

 

Gadelha, que nunca teve um pedido aceito, diz que o Conpresp não tem pessoal qualificado para analisar processos como esse. “Eles não têm antropólogos nem sociólogos.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.