Virada Inclusiva começa com 800 atividades

Programação vai de hoje a segunda-feira e terá opções de esporte, cultura e lazer

CAMILA BRUNELLI, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2012 | 02h04

Viadutos, monumentos e edifícios públicos, como o da Assembleia Legislativa - no Ibirapuera, zona sul da capital -, vão passar o fim de semana com a cor da lua. Ou melhor, da inclusão. Começa hoje a 3.ª edição da Virada Inclusiva. Inspirada nas Viradas Cultural e Esportiva, ela vai oferecer 800 opções de atividades de cultura, esporte e lazer até segunda-feira, em mais de 80 cidades do Estado de São Paulo.

A cor oficial será a "flicts" - inspirada em um dos livros mais conhecidos do escritor Ziraldo. Na obra, "flicts" (um laranja) era discriminado porque "não tinha a força do vermelho, não tinha a imensidão do amarelo nem a paz que tem o azul", até o dia em que percebeu que era, na verdade, a cor da lua - e celebrou.

Esse tom de celebração da diversidade é o que dominará as atividades - que praticamente dobram a cada edição (na primeira edição, havia só 12 municípios participantes). "Era uma comemoração muito amarga. Agora será um encontro da população nas ruas para comemorar a inclusão e tornar essa festa visível", disse o secretário adjunto estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Marco Antonio Pellegrini.

Segundo ele, a intenção é literalmente festejar o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência (comemorado na segunda-feira). "Hoje nós chegamos a uma situação em que podemos dizer que há acessibilidade em grande parte dos estabelecimentos da cidade (de São Paulo) - embora ainda haja problema em várias situações", completa o secretário. "Acho que o conceito de acessibilidade ainda está muito ligado à arquitetura e não ao conteúdo, como a linguagem de libras, placas de comunicação ou a linha que orienta o cego a andar, por exemplo."

Mesmo assim, a intenção é de que as atrações sejam apresentadas de modo que todos possam desfrutar igualmente. Elas vão de basquete de cadeira de rodas, voleibol adaptado, ioga no escuro, apresentação de bateria de uma escola de samba e oficinas de jardinagem até workshops de dança. "As atividades estarão espalhadas pela Avenida Paulista, pelo Parque do Ibirapuera, pelo Viaduto Santa Ifigênia e por estações de trem, por exemplo", disse o secretário adjunto estadual. "O Sesc também está envolvido com 24 unidades com programação em todo o Estado."

A Avenida Paulista, até pela centralidade, ganha destaque. Na programação está uma homenagem a Frida Kahlo. A artista, que na infância teve poliomielite, ganha uma exposição no Conjunto Nacional, com painéis que exibem fotos e imagens de obras.

Mais adiante, rumo ao Paraíso, o Itaú Cultural prepara programação especial para todos os gostos e perfis - e para os três dias. Haverá espaço para discussão sobre rap e repente, além de contação de histórias em português e em libras e apresentação de dança contemporânea em cadeira de rodas.

Investimento e transporte. Como todas as entidades participantes do evento atuam como voluntárias, o investimento público é relativamente pequeno: R$ 300 mil, com organização e produção.

Por outro lado, o governo facilita a questão do transporte: até segunda-feira, haverá transporte gratuito para unidades do Sesc e para o Ibirapuera em vans adaptadas. E atenção: outra diferença em relação às demais "Viradas" paulistanas é que a Inclusiva tem eventos só das 8h às 22h.

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