MARCIO FERNANDES/ESTADÃO
MARCIO FERNANDES/ESTADÃO

Virada Cultural será deslocada para Interlagos, anuncia Doria

Eventos que antes ocorriam durante 24 horas em diversos pontos da região central da cidade deverão ser realizados apenas no autódromo

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

05 Dezembro 2016 | 19h02
Atualizado 05 Dezembro 2016 | 23h21

SÃO PAULO - Pela primeira vez em 12 anos de existência, a Virada Cultural de São Paulo deixará as ruas do centro da capital. O prefeito eleito João Doria (PSDB) anunciou nesta segunda-feira, 5, que a partir do ano que vem o principal evento gratuito com atrações artísticas e musicais na cidade será realizado dentro do Autódromo de Interlagos, na zona sul paulistana. 

"A Virada Cultural vai sofrer algumas modificações. Ela vai ocorrer dentro de Interlagos, garantindo segurança, comodidade e com transporte público até o local", disse Doria durante um evento na sede da Federação do Comércio de São Paulo (Fecomercio) no qual estavam presentes presidentes de sindicatos patronais e alguns dos futuros secretários municipais, entre elas André Sturm, diretor do Museu da Imagem e do Som (MIS) que assumirá a pasta de Cultura.

Segundo o tucano, que prometeu privatizar o autódromo, o evento continuará sendo gratuito, mesmo após a venda do local, prevista para 2018. "A Virada continuará sendo absolutamente gratuita mesmo com o autódromo privatizado", disse.

A Virada Cultural foi criada em 2005 na gestão do também tucano José Serra, hoje ministro das Relações Exteriores, com o intuito de promover a ocupação e convívio social no centro de São Paulo, marcado por áreas degradadas e abandonadas. "Convívio pode ter naturalmente todos os dias, não precisa esperar a Virada Cultural", justificou Doria.

Neste ano, pela primeira vez, o evento que ocorre durante todo um final de semana no mês de maio, inclusive de madrugada, ofereceu atrações nas 31 regiões das subprefeituras da capital. Segundo Doria, a Virada na sua gestão também será descentralizada com a realização do programa Ruas Musicais, que pretende levar atrações de 12 horas a diversos bairros paulistanos ao longo do ano. 

Jockey. O prefeito eleito disse ainda que já conversou com os proprietários do Jockey Club de São Paulo para que uma parte do local vire um parque público e receba o futuro Museu da Biodiversidade, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP). "Estamos vocacionado o Jockey para que vire uma referência de lazer e cultura, preservando as instalações que são tombadas", disse.

Críticas. Em pouco mais de meia hora de fala, Doria fez críticas a gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) dizendo que "a cidade é um lixo" por falta de limpeza e aos bailes funk nas ruas, o chamado pancadão que, segundo ele, "é uma atividade criminosa administrada pelo PCC". 

Doria destacou o programa Cidade Linda e disse que a primeira "ação de ataque" na sua gestão será no dia 2 de janeiro com um mutirão com 2.100 voluntários na Avenida 9 de Julho, da Praça 14 Bis, em frente a sede da Fecomercio, no centro, até a marginal do Rio Pinheiros.

"A cidade é um lixo vivo, parece um filme escabroso. Hoje a cidade tem 16 mil moradores de rua, no inicio dessa gestão eram 6 mil. Antes tinha uma Cracolândia na cidade com 400 usuários e hoje são três mil em espalhados por seis cracolândias", afirmou Doria.

 

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