Virada Cultural 'invade' as ruas da cracolândia

Evento, no fim de semana, leva pistas com DJs para área antes tomada por viciados; 4,2 mil pessoas vão cuidar da limpeza da festa

ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2012 | 03h04

A Virada Cultural deste ano ganha mais 3 km² e avança pelas ruas da região da cracolândia, no centro, que há quatro meses está sob ocupação da Polícia Militar. Pistas com DJs serão instaladas em Ruas como a Dino Bueno, a Barão de Piracicaba e a Helvétia, antes completamente tomadas pelos viciados em crack. A festa começa às 18h de sábado e vai até as 18h de domingo.

"Eu via uma necessidade, desde que aconteceu a desocupação, de levar gente para lá", diz o coordenador do evento, José Mauro Gnaspini. "Se foi feita uma desocupação, agora fazemos uma ocupação. Para que o frequentador da Virada veja que é uma área da cidade como qualquer outra, que tem casas bonitas", completa.

A opção pelas pistas - e não por uma estrutura maior, como um palco - se deve às características da cracolândia. "São ruas estreitas. Então, optamos por essa estratégia de block party (festa de quarteirão), no chão, que tem origem no hip-hop, em Nova York", afirma Gnaspini.

A festa deste ano também acontecerá em regiões para onde os viciados migraram em peso, como a Rua Guaianazes. Além da área da cracolândia, o Minhocão também fará parte do mapa da Virada Cultural.

Limpeza. Com o aumento de território, haverá reforço no número de pessoas que trabalharão no evento. O efetivo de limpeza será de 4,2 mil pessoas, aumento de 27% em relação ao ano passado. Também serão usadas seis varredeiras mecânicas, para agilizar o serviço.

"Temos um adicional para que a região utilizada na Virada Cultural esteja limpa na sexta, no sábado, no domingo e na segunda-feira", afirmou o prefeito Gilberto Kassab (PSD). No ano passado, a equipe de limpeza recolheu 300 toneladas de lixo.

A área de alimentação também terá reforço, com a montagem de bancas de 30 chefs no Minhocão. No total, serão 12 praças de alimentação, com 112 barracas. Entre as opções gastronômicas, também será possível provar as delícias dos dez primeiros colocados no concurso Melhor Pastel de Feira e os seis finalistas da competição de caldo de cana.

Assim como aconteceu na última edição da Virada, a Prefeitura fiscalizará quem vende bebidas ilegalmente. Um dos principais alvos é o chamado vinho químico, bebida de alto teor alcoólico e bastante consumida por adolescentes. No ano passado, foram apreendidos 22 mil litros de bebidas. Vinte e nove pontos comerciais acabaram fechados.

Segurança. A Guarda Civil Metropolitana (GCM) usará 60 agentes à paisana para identificar irregularidades durante a Virada Cultural. "Esses guardas vão fiscalizar de comercio ilegal a vandalismo em lixeiras e em prédios públicos", afirmou o secretário municipal de Segurança Urbana, Edsom Ortega.

De acordo com Ortega, há cem câmeras instaladas no perímetro do evento, de 17 km², no centro da capital. O objetivo é que, a partir do momento em que seja detectada uma ocorrência, haja atendimento do problema em até dois minutos. Irregularidades podem ser denunciadas pelo telefone da GCM, o 153. No total, 1.236 guardas atuarão no evento.

Além dos GCMs, mais 3.153 policiais militares farão patrulhas durante a Virada Cultural. A Prefeitura contratou ainda 950 seguranças para dar apoio.

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