Virada Carioca

A guerra está só começando, o vento virou. A população aplaude a polícia. A bandidagem está perdendo. O Capitão Nascimento tinha razão

Nelson Motta, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2010 | 00h00

Artigo

Naquele tempo se podia subir qualquer morro do Rio, não havia nenhum perigo, só miséria. Muitos garotos das favelas próximas de Copacabana jogavam bola juntamente com os garotos do bairro nas praças, na praia e nas ruas. O Rio de Janeiro deixava de ser a capital, que se mudava para Brasília em janeiro de 1960.

De lá para cá foi ladeira abaixo, e morro acima. Em 1976, a Cidade Maravilhosa foi fundida à força com o atrasado Estado do Rio pelo governo militar. Foi a sua segunda morte.

A terceira seria lenta e sofrida, vítima de duas desastrosas administrações de Brizola, quando a polícia foi proibida de entrar em favelas em nome dos direitos humanos. E pior: com um governo Moreira Franco no meio. Na sequência, quatro anos de governo Garotinho, seguido de mais quatro de Rosinha. Nenhuma metrópole do mundo sobreviveria a essas administrações.

Em Nova York se consome muito mais drogas do que no Rio de Janeiro, mas o tráfico não manda nada, se contenta em vender o seu veneno escondido, porque a polícia prende e a Justiça manda para a cadeia. Mesmo podendo comprar livremente armas pesadas, o tráfico não comanda nenhum território, só se esconde da policia. Ninguém fala "o tráfico é o flagelo de Nova York". Lá o tráfico não é assunto, se movimenta nas sombras do submundo e não interfere na vida das pessoas comuns.

A maior graça, e a desgraça, do Rio de Janeiro é a sua geografia deslumbrante, com as praias cercadas de morros e montanhas onde se abrigam as quadrilhas de traficantes e as milícias. Nossas belezas se tornaram fortalezas do crime e da morte.

A guerra está só começando, o vento virou. A população aplaude a polícia. A bandidagem está perdendo. O Capitão Nascimento tinha razão.

É ARTICULISTA DE O ESTADO DE S. PAULO

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