Viracopos se torna rota de tráfico mundial

Com três voos semanais para a Europa, aeroporto já é usado por 'mulas'; só neste ano, foram 20 apreensões de cocaína

RICARDO BRANDT / CAMPINAS, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2012 | 03h04

Desde o começo do ano, 20 pessoas foram presas pela Polícia Federal por tráfico internacional de cocaína no Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP) - a maioria estrangeiros. O terminal tem sido usado como nova rota de envio da droga para a Europa, e os principais destinos foram Portugal e Espanha. Só no mês passado, foram presas duas "mulas" (pessoas aliciadas para transportar a cocaína) nigerianas com destino a Lisboa.

A rota do tráfico via Viracopos se intensificou a partir de 2011, segundo a PF, após o aeroporto colocar em funcionamento, no fim de 2010, a rota Brasil-Portugal. Viracopos tem três saídas semanais para Lisboa, pela TAP.

No ano passado, foram 80 prisões por tráfico (incluídas outras drogas, a maioria cocaína). Já o Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, bateu o recorde mundial de apreensões da droga em 2011:362 prisões com 26 destinos de voos internacionais. Ou seja, Viracopos, que tem um centésimo dos passageiros internacionais de Cumbica (112 mil contra 11 milhões em 2011), teve pouco mais que um quinto das apreensões do maior aeroporto do País.

Para o delegado da PF responsável pela unidade de Viracopos, Hermógenes de Freitas Leitão Neto, houve queda de casos em 2012 por causa do aumento da fiscalização e das apreensões.

Rota. A rota por Viracopos segue no Brasil a tradicional trilha de passagem da cocaína que vai para a Europa: vinda dos países produtores andinos, entra no Brasil por rodovias e em pequenas aeronaves e chega a São Paulo, para seguir para a Europa. O Relatório Mundial sobre Drogas, divulgado pela Organização das Nações Unidas em 2010, aponta que o Brasil se tornou na última década rota logística para envio de drogas para a Europa.

Em Viracopos, das 20 apreensões feitas de janeiro a agosto, seis tinham como destino Portugal e quatro Espanha. Outros dez países estão na lista de destino da cocaína apreendida em Campinas. O delegado Leitão Neto explica que os traficantes buscam todas as portas de saída. Pelos cálculos de um agente da PF, um quilo da cocaína concentrada pode ser transformado em até 25 quilos. Na Europa, o quilo pode custar até 50 mil.

Disfarces. A maior apreensão de cocaína feita em Viracopos aconteceu em abril de 2011, quando uma jovem de 23 anos, de Cabo Verde, na África, foi presa com 24 quilos escondidos em uma mala cheia de sutiãs. A droga seria levada para Marrocos, com escala em Lisboa.

Em 2012, a maioria dos casos de apreensão foi de mulas que ingeriram a droga dentro de cápsulas. No dia 2 de agosto, um nigeriano que vivia em São Paulo carregava 33 cápsulas dentro do corpo e passou mal após uma delas ficar entalada no aparelho digestivo. O preso ficou dez dias internado e passou por cirurgia para retirada da droga.

Mas há os casos de disfarces engenhosos. Houve registros de quadrilhas que tentaram esconder a droga em fundos falsos de mala, dentro de uma estátua de coruja, em um livro infantil e até em toalhas do Corinthians.

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