Luciana Prezia/Divulgação
Luciana Prezia/Divulgação

Vips esgotam, em 5 min, linha de roupa barata de Stella McCartney

Convidadas disputavam peças de até R$ 499 no lançamento da coleção feita para loja de[br]departamento

Paulo Sampaio, O Estado de S.Paulo

18 Março 2011 | 00h00

Um privilegiado grupo de "cem amigas da Lelê" protagonizou anteontem na loja C&A do Shopping Iguatemi uma espécie de estouro da boiada fashion, durante o lançamento de uma linha mais em conta da estilista inglesa Stella McCartney. Com preços entre R$ 69,90 e R$ 499, as peças foram consumidas tão rapidamente que as vendedoras tiveram de fazer a primeira reposição apenas 5 minutos depois que a loja abriu, às 23h.

O mailing de Lelê Saddi foi montado com base nas frequentadoras de seu blog (da Lelê), que é um sucesso entre "pessoas com informação de moda". "Não existe um perfil definido de público", diz ela, sem muita paciência. "Aqui tem advogadas, economistas, arquitetas..."

De fato, a profissão é o que menos conta na aparência daquele grupo de mulheres coincidentemente bem vestidas, penteadas, maquiadas e incrivelmente dispostas a consumir em uma quarta-feira útil, perto da meia-noite.

A assessoria da marca explica que as roupas foram desenhadas pela própria Stella McCartney (por que não seriam?) e vieram de fora (ninguém sabe explicar exatamente de onde).

Isso só aumenta a fantasia consumista das amigas da Lelê, que catam as peças como se estivessem em uma liquidação sem precedentes nas butiques de Stella McCartney em Londres ou Nova York, onde um vestido pode custar mais de US$ 2 mil.

"Movimento assim só na inauguração da loja", afirma a caixa Fernanda Costacio da Silva, que trabalhou mais das 23h à 0h30 do que costuma acontecer em um dia inteiro.

"Isso aqui está uma histeria, menino", diz a produtora de moda Bicci Averbach.

Primeiro nome. Lelê explica que os motivos que a levaram a aceitar o trabalho não foram financeiros. "Só faço esse tipo de evento com marcas que eu gosto, consumo e nas quais eu acredito", diz ela, que não consegue se lembrar de nenhuma "peça Stella" em seu guarda-roupa.

Entre as "pessoas com informação de moda" é praxe tratar a estilista pelo primeiro nome: "Gosto das roupas da Stella, mas para olhar. Não pago tanto por uma peça", diz Fabiana Justus, que também não tem nada da marca em casa.

Glorinha Kalil chegou cedo e logo saiu. Diz que foi apenas "para olhar" e elogia o conceito high-low (alta moda por baixo preço) que cadeias como a C&A têm adotado.

"Cadê o 46?", reclama, inconsolável, a produtora Andrea de Marco, manequim 44. "Aqui não tem roupa para mulher real. O 44 equivale a 46."

Sophia Alckmin, filha do governador de São Paulo e blogueira, teve o mesmo problema, só que para achar uma calça 36. Levou blusas e tops. "Tenho algumas peças Stella, adoro (finalmente alguém tem)."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.