Violino levado por travestis é recuperado

Sete dias após roubo, em Moema, músico tem de volta instrumento avaliado em R$ 20 mil

Camilla Haddad, O Estadao de S.Paulo

20 Março 2010 | 00h00

Graças a um telefonema anônimo, o músico Hanry Dawson recuperou anteontem seu violino, que havia sido levado dia 12 por dois travestis durante assalto na Avenida Indianópolis, em Moema, zona sul.

As insistentes chamadas fizeram Hanry interromper o ensaio com uma orquestra sinfônica para atender o celular, na quinta-feira, às 21h. Do outro lado da linha, uma voz masculina avisou: "Estou com seu violino. Vou deixá-lo na segunda praça depois da Rua Itajubá". O local fica nas proximidades do Cemitério do Araçá, na zona oeste.

Ele oferecia recompensa de R$ 300. "Nem foi preciso", segundo Hanry. O homem que telefonou não aceitou o dinheiro. "A pessoa perguntou se era eu mesmo o rapaz do violino e disse que tinha comprado o instrumento por R$ 200 de um travesti. Afirmou que tinha ficado sensibilizado com meu caso", afirma o músico.

Hanry e o sogro deixaram Santo André, onde moram, e vieram à capital recuperar o violino. O sogro do músico pediu para um policial aposentado acompanhar os dois, caso houvesse sinal de perigo ao redor da praça.

"Deu tudo certo. Não tinha ninguém na praça. O violino estava no estojo, intacto junto com dois arcos", conta o jovem de 25 anos. "O violino estava dentro de um saco de lixo." Agora, finalmente, Hanry poderá participar de um teste para integrar uma orquestra da região, com seu próprio instrumento. Dias depois do roubo, um professor do músico ficou sabendo e resolveu emprestar um instrumento para o rapaz poder trabalhar.

Roubo. Na noite do assalto, Hanry tinha acabado de sair da Igreja Nossa Senhora do Brasil, no Jardim Europa. Ele tinha tocado em um casamento. Ele seguiu pela Avenida República do Líbano e pegou a Indianópolis, quando foi parado por dois travestis em um semáforo.

A dupla entrou no carro de Hanry, roubou R$ 30 e o instrumento, avaliado em R$ 20 mil. Além do violino, os travestis carregaram dois arcos alemães, orçados em R$ 7 mil cada.

À 1 hora de anteontem, a voz masculina ligou novamente. "Só queria saber se estava faltando algo." E desligou.

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