'Violência sexual ocorre de forma repetida', diz relatório da FMUSP

Além disso, são constatados relatos de racismo, uso de drogas e consumo abusivo de álcool em celebrações no espaço da instituição

O Estado de S. Paulo

21 Novembro 2014 | 10h44

O relatório final produzido por uma comissão interna da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) apontou que a violência sexual "ocorre de forma repetida" no espaço da instituição. Além disso, são constatados relatos de racismo, uso de drogas e consumo abusivo de álcool. O documento, com propostas de mudanças na universidade,  foi enviado na quinta-feira, 20, a todos os membros da congregação da FMUSP, e deverá ser votado na próxima quarta-feira, 26.

No curso mais concorrido da USP, professores e alunos afirmaram que o abuso moral é uma prática constante dentro da instituição. Uma das maiores preocupações é com a recepção dos calouros - eventos em que costumam ocorrer os casos de violência. Na última semana, duas alunas relataram terem sido estupradas nas festas da FMUSP, em uma audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Uma delas disse que o caso ocorreu em confraternização no primeiro ano da faculdade.

Nestas festas, o relatório afirma que "há intenso consumo de álcool durante toda a semana". A situação também é grave quando mencionado o uso de drogas. "Experimentam rotineiramente situação de consumo excessivo de drogas lícitas, ilícitas e de prescrição".

O documento propõe algumas medidas para melhorar a situação da universidade e, consequntemente influenciar "no conjunto das Escolas Médicas do país o processo de mudança de atitudes e valores voltados ao respeito, ética e dignidade". Entre elas, está a criação de regras para o consumo de álcool nas dependências do complexo HC-FMUSP. Outra proposta é a criação de instâncias para acolhimento de denúncias, apoio às vítimas e apuração dos eventuais fatos denunciados. A FMUSP informou, na última semana, que criaria um órgão com estas funções, chamado Centro de Defesa dos Direitos Humanos. Há ainda sugestão de ampliação dos sistemas de vigilância eletrônica no teatro e áreas comuns da FMUSP.

A médio e longo prazo, os membros da comissão propuseram medidas já demandadas por alunos na audiência da Alesp, como a incorporação de conteúdos voltados aos direitos humanos nas atividades da universidade. Há também sugestão de revisão nas atividades de recepção dos calouros e criação de regras para autorização de festas e contraternizações, incluindo autorização do corpo de bombeiros, número restrito de participantes e segurança adequada.

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