Violência praticada por policiais cai em ritmo menor

Mas, para Corregedoria, em 98,8% dos 998 registros em horário de serviço os agentes agiram legitimamente

O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2011 | 03h02

Citada como exemplo pela Organização das Nações Unidas, a queda no número de assassinatos em São Paulo é uma das principais bandeiras da Secretaria de Segurança Pública. Mas o número de mortes provocadas por policiais militares não tem diminuído no mesmo ritmo que a taxa de homicídios dolosos.

Na comparação entre 2004 e 2010, houve redução de 50,6% na taxa de homicídios cometidos intencionalmente em São Paulo. Já o número de mortes causadas por disparos efetuados por policiais militares, incluindo resistências seguidas de morte, caiu apenas 7,9% no período.

Ao longo da década, os números absolutos pouco variaram. Entre setembro de 2003 e agosto de 2005, por exemplo, foram 1.258 mortes causadas por PMs, incluindo resistências, homicídios dolosos em serviço ou na folga. De setembro de 2009 a agosto de 2011, foram 1.273.

Em relação a registros durante o serviço, foram registrados nos últimos dois anos 986 casos de resistência seguida de morte e 12 homicídios dolosos. Segundo a Corregedoria da PM, em 98,8% dos casos, PMs mataram legitimamente.

Justiça. Mas os casos de resistência seguida de morte causam controvérsia. Segundo a defensora pública Daniela Skromov, mortes provocadas por policiais em serviço deveriam ser consideradas, desde o princípio, como homicídios.

A defensora lembra que muitos dos casos registrados inicialmente como autos de resistência são convertidos depois em assassinatos, quando analisados pela Justiça. "Em grande parte, tem tiro em região vital, e mais de um tiro. É indicativo de que não se tentou atingir outras partes. E os disparos foram feitos de cima para baixo. A pessoa que morreu estava em posição de inferioridade física. Na maior parte, não há nem marca (de reação) na viatura ou no entorno. E quase nunca há testemunha civil." / WILLIAM CARDOSO

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