Violência policial explode na Grande SP: 1 noite, 8 mortos

Em todos os casos, registrados como resistências seguidas de morte, policiais afirmam ter sido atacados a tiros por bandidos

BRUNO PAES MANSO, CAMILA BRUNELLI, RICARDO VALOTA, O Estado de S.Paulo

14 Julho 2012 | 03h03

Oito pessoas morreram, uma ficou ferida e três fugiram em seis casos de supostas resistências seguidas de morte envolvendo policiais militares entre a noite de anteontem e a madrugada de ontem. Nos boletins de ocorrência, PMs afirmaram que as mortes ocorreram em resposta a disparos dados pelas vítimas. Cinco casos ocorreram na capital e um em Itapevi, na Grande São Paulo. Em Parelheiros, base da Força Tática foi alvo de disparos.

No último trimestre, de abril a junho, ocorreram 100 casos de supostas resistências seguidas de morte na Grande São Paulo. O total já corresponde a 19,8% do total de homicídios dolosos do período. No primeiro trimestre de 2001, resistências representavam 3,3% dos homicídios.

Em junho, mês dos ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC), houve 32 resistências, menos do que em maio (22).

A última vez que a PM havia acumulado tantos casos de resistência de morte em um período tão curto foi em agosto de 2010, logo após o atentado ao ex-comandante das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), Paulo Adriano Telhada. Foram oito mortes em 36 horas.

"Se os casos de resistência estão aumentando, deve-se registrar que os casos de roubos também estão crescendo, o que pode provocar mais confrontos", diz o delegado Jorge Carrasco, diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa.

Entre ontem e anteontem, o caso mais violento ocorreu na zona norte, no Parque de Taipas. Três pessoas morreram por volta das 23h de quinta-feira. PMs da Força Tática do 18.º Batalhão disseram ter trocado tiros com três homens que ocupavam um Gol roubado. Eles bateram o carro contra um muro durante a perseguição. Entre os mortos, dois eram adolescentes. A terceira vítima foi Douglas Silva de Luna.

Em Parelheiros, na zona sul, uma base da Força Tática foi atacada à 1h30 de ontem. Segundo a polícia, três homens a bordo de um Fiat Doblò atiraram contra a base. Na fuga, teriam se deparado com um carro do 50.° BPM, desembarcado do veículo e atirado contra a guarnição. Ainda segundo a polícia, houve troca de tiros e um dos suspeitos foi baleado e, mesmo socorrido, não resistiu aos ferimentos. Os outros dois bandidos se embrenharam pela mata e fugiram. O Doblò usado pelos suspeitos havia sido roubado no dia 10 e foi devolvido na manhã de ontem à dona.

Também na zona sul, no Jardim Ângela, policiais da Rota afirmaram ter revidado a tiros dados por dois suspeitos que ocupavam um Fiat Punto. A dupla foi perseguida e bateu o carro contra um Corsa branco. Segundo o que os policiais disseram ao delegado Antonio Carlos Miranda, do 47.º Distrito Policial (Capão Redondo), após baterem no Corsa, os dois desceram do carro atirando contra a equipe policial, que revidou. Um dos suspeitos morreu no pronto-socorro do M'Boi Mirim, o outro fugiu. Nenhum deles foi identificado.

Outro tiroteio envolvendo homens da Rota ocorreu no Socorro, na zona sul. A equipe disse ter desconfiado de dois ocupantes de um Classic. A perseguição só terminou após a dupla atingir outro veículo. Segundo PMs, os dois desceram atirando contra os policiais. Um dos suspeitos - não identificado - foi baleado e morreu no Pronto-socorro Santo Amaro. O outro fugiu.

Em São Mateus, na zona leste, a vítima foi Alexandre Silva de Souza. Durante o suposto tiroteio, um jovem sobreviveu.

Morte em casa. Em Itapevi, dois ocupantes de uma moto, segundo uma testemunha, teriam assaltado um pedestre. Alertados, policiais militares do 20.º Batalhão verificaram que o veículo não era roubado e foram à casa do dono. Lá, o proprietário teria dito que já havia vendido a moto e indicado aos policiais o endereço do atual dono. Ao chegarem ao local, policiais contam ter visto a moto na frente do imóvel. Dizem ainda que Carlos Gonçalves da Silva saiu atirando, foi baleado e morreu. Na casa teriam sido encontradas drogas. O outro acusado conseguiu fugir.

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