Violência no trânsito custa hospital de 200 leitos por ano

Apesar da lei seca, nº de internações em hospitais públicos causadas por acidentes graves vem [br]aumentando desde 2008

Fábio Mazzitelli, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2011 | 00h00

O tratamento de vítimas de violência do trânsito em hospitais públicos de São Paulo consumiu, no ano passado, R$ 56,7 milhões do Sistema Único de Saúde (SUS), valor suficiente para construir um hospital com 200 leitos. É o que mostra levantamento feito pela Secretaria de Estado da Saúde.

Apesar da lei seca, o número de internações por acidentes graves de trânsito em hospitais públicos paulistas vem aumentando desde 2008, ano em que entrou em vigor a lei federal que prevê punições severas a motoristas que dirigem embriagados. Naquele ano, foram 31,3 mil internações no SUS por acidente grave de trânsito, número que ficou em 35,7 mil no ano seguinte e atingiu 40,3 mil em 2010.

Esse crescimento de 29% nas internações custou, no total, R$ 140,5 milhões no período. Neste ano, dados de janeiro a junho indicam 21,3 mil internações e gastos de R$ 30,1 milhões no atendimento dos pacientes.

A fisiatra Júlia Greve, da rede estadual de saúde, relaciona o crescimento no número de internações de vítimas da violência no trânsito ao aumento no número dos acidentes e internações de motociclistas. "Acidentes com moto vêm aumentando e compõem a maior parte dos atendimentos feitos pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), casos graves que resultam em internações. Possivelmente, o fator moto explica esse crescimento."

Motociclistas e pedestres lideram as vítimas graves de acidentes automobilísticos internadas em hospitais públicos. Entre 2008 e 2010, houve 47,2 mil internações de motociclistas e 27,8 mil de pedestres.

Lei seca. A falta de um impacto duradouro da lei seca no Estado de São Paulo também é um fator a ser considerado, na visão de especialistas. Para Júlia Greve, no momento em que a fiscalização deixou de ter destaque, a legislação "saiu da cabeça das pessoas". "A lei seca teve um efeito inicial muito bom, que não perdurou", lamenta a médica.

Para José Montal, vice-presidente da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), a lei seca teve menor impacto em São Paulo do que em outros Estados. "Voltaram a apertar o cerco ao condutor que dirige sob efeito de álcool. Os números mostram que esse combate pode diminuir em mais de 30% os acidentes graves."

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