Vinicultores vinham a SP agradecer apoio financeiro

Morte dos executivos da Cooperativa Vinícola Aurora comove a cidade de Bento Gonçalves

Elder Ogliari, do Estadão,

19 de julho de 2007 | 03h19

A morte dos executivos Carlos Gilberto Zanotto, superintendente, e Ivalino Bonatto, gerente financeiro da Cooperativa Vinícola Aurora, comoveu a cidade de Bento Gonçalves, maior produtora de vinhos finos do País. Os dois iam visitar a sede do Bradesco, em Osasco, para agradecer o apoio recebido da instituição financeira em 1996, quando a cooperativa esteve em situação falimentar, e mostrar que, desde então, o faturamento da vinícola cresceu 253%, chegando a R$ 152 milhões em 2006. Fundada em 1931 e líder do segmento vinhos finos com 27% do mercado brasileiro, a Aurora é um símbolo regional que congrega cerca de 1,1 mil famílias produtoras de uva. Tanto Zanotto quanto Bonatto eram admirados na comunidade porque estavam na equipe que reergueu a cooperativa em 1996 sob o comando do ex-superintendente Hermes Zanetti. Os executivos construíram carreiras dentro da cooperativa. Zanotto estava com 46 anos e havia feito toda sua carreira profissional dentro da empresa, na qual ingressou quanto tinha 14 anos como carregador de caixas no setor de expedição. Deixou a mulher e uma filha de 11 anos.  Bonatto tinha 52 anos e uma trajetória semelhante, construída durante os 30 anos que passou dentro da cooperativa. Deixou a mulher e um casal de filhos. As famílias não se manifestaram sobre o acidente. Os diretores da cooperativa não deram entrevistas nesta quarta-feira, mas emitiram uma nota de pesar pelas mortes. "Todos os funcionários e representantes da Aurora, desde a matriz, em Bento Gonçalves, até as filiais e os escritórios em todo o Brasil, choram sinceramente essas perdas", diz o texto. A prefeitura de Bento Gonçalves também lamentou as mortes em nota oficial. O presidente da Federação das Cooperativas do Vinho do Rio Grande do Sul (Fecovinho), Alceu Dalle Molle considerou a trajetória dos dois exemplar. "Eram pessoas humildes, sempre prontas para ouvir seus colaboradores, mas também sabiam dar agressividade à Aurora no mercado", afirmou.  Para o assessor do conselho do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), Carlos Paviani, tanto Zanotto quanto Bonatto eram muito respeitados por suas trajetórias e estavam no auge de suas carreiras. "Há um sentimento de tristeza generalizada em toda a cadeia de produção do vinho", constatou.

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