Vila operária da Light tem posse discutida

Ideia é tornar área pública o espaço, construído em 1920. Hoje, abriga funcionários de usina

Rejane Lima / CUBATÃO, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2011 | 00h00

Uma das vilas operárias mais bem preservadas do País, a Vila Light, em Cubatão, na Baixada Santista, despertou o interesse da Câmara Municipal, que tenta transferir à municipalidade a vila anexa à Usina Henry Borden, hoje pertencente à Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), ligada à Secretaria Estadual de Saneamento e Energia.

Construída na década de 1920 para abrigar trabalhadores da extinta Light Power Company, a vila fica ao pé da Serra do Mar, perto da Via Anchieta, em uma área da usina, mas cercada e com portaria independente. São 140 casas de alvenaria, com tamanhos que variam de 90 a 200 metros quadrados, distribuídos ao longo de 89 mil metros quadrados de ruas largas e arborizadas onde quase nunca passam carros.

Nos tempos áureos, a vila foi o lar de 400 pessoas e tinha de hospital a clube de senhoras. Hoje, 60 casas estão ocupadas por 238 operários e seus familiares, que pagam aluguéis baixos.

Autor do requerimento que solicitou a criação de uma Comissão Especial de Vereadores (CEV) para tratar da transferência, o presidente da Casa, vereador Donizete Tavares do Nascimento (PR), diz que a população deve usufruir do espaço. "Nós temos várias secretarias em imóveis alugados. Por que não levar a Secretaria do Meio Ambiente para lá, um local tão bonito?"

Gerente da Unidade de Produção da Henry Borden, Nassim Miguel Caram, afirma que a Emae está preocupada com a preservação da vila e não permite que os moradores façam reformas que descaracterizem os imóveis. De acordo com o historiador de Cubatão Wellington Borges, o Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Cubatão abriu um processo de tombamento há três anos. "A vila tem problemas, nada que o restauro não resolva, mas é preciso discutir a posse."

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