Márcio Fernandes/AE
Márcio Fernandes/AE

Vila Maria se renova para ser campeã em São Paulo

Após oito anos, escola trocou de carnavalesco e treinou componentes na luta pelo primeiro título

Cristiane Bomfim - Jornal da Tarde,

01 Fevereiro 2010 | 11h59

SÃO PAULO - A Unidos de Vila Maria, escola de samba da zona norte da capital, não engoliu a oitava posição no carnaval de 2009. Incomodada com erros constantes, a diretoria resolveu mudar "algumas peças" para o desfile deste ano, entre elas o carnavalesco. Depois de oito anos na agremiação, Wagner dos Santos foi substituído por Fábio Borges. A troca, segundo o presidente Paulo Sérgio Ferreira foi de "comum acordo". "Nós (da diretoria) achamos que a relação estava meio desgastada. Os projetos de carnaval começaram a se repetir e não alcançavam o êxito que queríamos", explica.

 

Para atingir a meta de ser campeã do Grupo Especial neste ano, a escola também investiu em treinamento em todos os setores "para que erros bobos" não prejudiquem na avenida e ousou no enredo: "A indústria que manipula o ferro é a mãe de todas as outras". "Aparentemente o ferro não é um material nobre e as pessoas meio que torceram o nariz quando eu fiz a sugestão. Isso é porque elas não conhecem a história", conta Borges.

 

Segundo ele, o enredo está pronto há dez anos, mas não tinha sido apresentado a outra escola. "É a cara da Vila Maria." No sambódromo, a Vila Maria promete uma aula de história grandiosa. Os carros, explica o carnavalesco, "serão enormes" e as fantasias "muito coloridas" apesar do enredo ser "pesado visualmente". "Tive que fazer malabarismo para que tivesse leveza."

 

PREPARO

 

"Estamos nos organizando para ser campeões. A Vila Maria, pelos carnavais que já realizou, jamais pode ficar fora do desfile das campeãs. Isso doeu muito para a comunidade e para a diretoria. Não digeriu. Agora é a hora de acabar com esta imagem", desabafa Ferreira. Por quatro meses, componentes da Vila Maria passaram por um curso com o diretor de harmonia Raimundo Pereira da Silva, o Mercadoria.

 

Participaram do treinamento desde encarregados de carros alegóricos até a diretoria. A ideia é que todos entrem na avenida em sintonia. Componentes também foram instruídos para que evitem brincadeiras na hora do desfile. "Simulamos os erros mais comuns e um deles é a brincadeira nas alas, como por exemplo uma pessoa empurrar a outra."

 

A Vila Maria, fundada em 1954, nunca foi campeã do Grupo Especial. No comando da escola há quatro anos, Ferreira diz que uma de suas metas é levar o troféu antes de encerrar seu mandato, no dia 30 de abril. "Ser campeão nestes primeiros quatro anos era o nosso planejamento de carnaval. Acredito que esse mandato será fechado com chave de ouro."

 

No carnaval há 20 anos, Fábio Borges diz que seu trabalho como carnavalesco é mais voltado às artes plásticas. Por isso, os cinco carros alegóricos da Unidos da Vila Maria deverão roubar a cena. "Tenho certeza que nenhuma escola teve ou terá alegoria parecida ou igual", ele conta.

 

O abre-alas, chamado Ferro no Universo, é o maior. Ele mostrará o primeiro contato do homem primitivo com o metal - que caía do céu em forma de meteorito, afirma. Vai chamar a atenção também o quarto carro com réplicas de símbolos mundiais feitos em ferro, como a Torre Eiffel, na França, e o Palácio de Cristal de Londres. Terá também a estátua da Liberdade. "Sim, toda a estrutura interna dela é de ferro", explica Borges.

 

A iluminação dos carros será feita de dentro para fora. O carnavalesco preferiu não explicar para não acabar com a surpresa. "A grande novidade desse desfile da Vila Maria é a ousadia e o conjunto. Está tudo muito harmonioso." O carnaval terá custo de R$ 2,6 milhões.

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