Vila Madalena registra 1 sequestro relâmpago a cada 4 dias em agosto

Moradores estão assustados e temem novos ataques. A Polícia Militar reconhece o problema e diz ter reforçado o policiamento

Camilla Haddad, do Jornal da Tarde, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2011 | 00h00

A Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo, entrou para a lista dos bairros mais visados por ladrões especializados em sequestros relâmpagos na capital. Entre 20 de julho e 31 de agosto, ao menos 11 pessoas foram vítimas. Moradores estão assustados e temem novos ataques. A Polícia Militar reconhece o problema e diz que reforçou o policiamento.

As ruas com mais registros são Djalma Coelho, Natingui, Harmonia e Felipe Gusmão. Vítimas contam que a ocorrência dura aproximadamente uma hora e durante o crime são feitas ameaças de morte, caso senhas e cartões não sejam entregues rapidamente aos criminosos.

Para a Polícia Militar, os ladrões teriam migrado do Morumbi, após um reforço do policiamento no bairro da zona sul. O delegado Ricardo Arantes Cestari, titular do 14.º DP (Pinheiros), acredita que mais de uma quadrilha esteja agindo na região. "Estamos tentando intimar as vítimas para que elas façam o reconhecimento fotográfico, para ajudar na identificação dos assaltantes."

De acordo com o delegado, os crimes ocorrem principalmente nas Ruas Girassol, Djalma Coelho e Harmonia. Sem apresentar dados estatísticos, Cestari explica que as ruas de Pinheiros também são alvo, mas a frequência desses crimes não seria "exorbitante".

Traumas. Para quem viveu momentos de terror nas mãos de ladrões sobram os traumas. Na tarde de 29 de julho, uma advogada de 32 anos que tinha acabado de sair do Fórum de Pinheiros foi abordada no trânsito na Rua Fidalga. "Nunca mais fui lá." Dois homens armados bateram com o revólver no vidro de seu carro. "Eles mandaram ir para o banco de trás e ficar abaixada. Em um certo momento, pediram a bolsa e falaram para eu calar a boca. Estavam muito calmos, sabiam o que estavam fazendo."

A advogada conta que os saques foram feitos e depois a dupla a deixou na mesma região. "É traumatizante. Mudei a rotina. Até pessoas andando atrás de mim me deixam ressabiada." Antes de libertá-la, um dos ladrões disse que a bolsa dela era bonita e seria levada para uma amiga.

Há uma semana, no dia 31, às 19h30, uma autônoma enfrentou o mesmo drama na Rua Natingui. No caso dela, o limite de saque já tinha sido alcançado e os ladrões ficaram enfurecidos. "Pensei no pior. Rezei e, por sorte, nada deu errado."

No mesmo dia, um casal de 33 e 36 anos foi abordado na Rua Harmonia por quatro homens. Foram levados relógios, bolsa, dinheiro e telefones celulares.

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