Vigia faz seis reféns em banco onde trabalhava

Sem ameaçar as pessoas, ele tentou se matar com um tiro no peito; homem enfrentava problemas pessoais e estava revoltado com a situação política

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

14 Maio 2014 | 12h31

Atualizada às 21h17

SÃO PAULO - Um vigia fez seis reféns dentro de uma agência bancária na zona leste de São Paulo, na manhã desta quarta-feira, 14. Transtornado, ele dominou o grupo durante 45 minutos e depois atirou contra o próprio peito. Segundo o relato das vítimas, três clientes e três colegas do banco, o homem enfrentava problemas pessoais e estava revoltado com a situação política do País.

O crime aconteceu entre 11h15 e 12h, em uma agência do Santander na Avenida Doutor Eduardo Cotching, na altura do número 1.752, na Vila Formosa. Sem motivo aparente, de acordo com as testemunhas, o vigilante José Carlos de Oliveira dominou um colega, pedindo que largasse a arma. Na sequência, o funcionário levou seis pessoas para uma sala no andar térreo, perto do caixa, onde foram mantidas reféns.

O vigilante, que carregava dois revólveres da empresa, trancou os reféns, mas não ameaçou atirar em nenhum momento. Segundo os relatos, o homem pediu que fossem chamadas a polícia e a imprensa. Não houve solicitação de resgate.

Revoltado, o vigia criticava a situação atual do País e pedia a volta dos militares. Ao negociar com um tenente do 8.º Batalhão da PM, ele até demandou a presença de um coronel do Exército. Ainda durante a negociação, o vigilante exigiu a presença da mulher e pediu que ela levasse uma camisa, com frases bíblicas e mensagens de revolta. A roupa havia sido confeccionada semanas antes, a pedido do vigilante, de 59 anos.

Dia de fúria. De acordo com a Polícia Civil, um dos principais motivos da indignação era a perda recente do direito a um benefício previdenciário. "Ele aparentava estar com graves problemas psicológicos", afirmou o delegado Wuppslander Ferreira Neto, do 58.º Distrito Policial (Vila Formosa). A mulher do vigilante não foi encontrada.

"As vítimas contaram que ele era um ótimo funcionário e estava na empresa havia alguns anos", afirmou Ferreira Neto. "Um dos gerentes fez elogios. Disse que ele estava sempre atento e disposto a ajudar", acrescentou. Entre os colegas, ninguém percebeu comportamento suspeito nos últimos dias.

Após 45 minutos de tensão, o vigilante disparou contra o próprio peito e a bala passou perto do coração. Ele foi encaminhado para o pronto-socorro do Hospital Municipal do Tatuapé, também na zona leste, e passou por cirurgia. Segundo a Secretaria de Saúde, o quadro do vigia era grave, porém estável.

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