Vigia de banco atira contra cabeça de aposentado

Morador de São Miguel Paulista foi barrado em porta giratória do Bradesco por causa do marca-passo, discutiu com segurança e acabou baleado

Damaris Giuliana, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2010 | 00h00

Dois clientes do Banco Bradesco foram baleados ontem por um segurança da agência São Miguel Paulista/USP, na zona leste de São Paulo. O tiro atravessou a cabeça de um aposentado de 47 anos e atingiu de raspão o rosto de um cozinheiro, de 22. O segurança Pedro Gonçalves de Almeida, de 37, foi preso em flagrante e indiciado por dupla tentativa de homicídio. O estado de saúde do aposentado era grave. A outra vítima recebeu alta.

Domingos da Conceição dos Santos trabalhava como cozinheiro em uma indústria, mas adoeceu e foi aposentado por invalidez. Morador de São Miguel Paulista, ele foi até a agência da Rua José Otoni, número 119, para receber o segundo benefício da aposentadoria. Chegou lá por volta das 10 horas e foi barrado na porta giratória. Apesar de apresentar comprovante de que possui um marca-passo, o segurança não destravou a porta.

Segundo a família, Santos ficou nervoso e xingou Almeida. "O segurança disse que ia dar um tiro nele", contou o genro Madson Rodrigues, de 36 anos. Almeida disparou o revólver calibre 38 e a bala atingiu o rosto de Santos, perto do nariz, saindo pelo fundo da cabeça. O mesmo projétil atingiu o também cozinheiro Joaquim Deoclecio Manicoba.

Família. Santos é casado, tem dois filhos - Viviane, de 27 anos, e Vinícius, de 22. Segundo a enteada, a funcionária pública Vanessa Coelho Pereira, de 34, o Pronto-Socorro Tide Setúbal, para onde a polícia o levou, não tinha recursos para realizar nem a tomografia para identificar a gravidade da lesão nem a cirurgia.

"Foi super complicado conseguir a transferência para o (Hospital) São Camilo do Ipiranga (zona sul). O Bradesco disse numa reportagem que está prestando auxílio à família, mas não está fazendo nada", afirmou Vanessa. "A assistente social só deixou um número de telefone."

Polícia. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, quando policiais militares que patrulhavam a região a pé chegaram à agência, viram o cozinheiro de 22 anos sair correndo, com o rosto sangrando, e encontraram Santos desacordado.

As vítimas foram socorridas e o segurança, preso em flagrante e encaminhado para o 22.º Distrito Policial (São Miguel Paulista). Foram apreendidos o revólver de Almeida, quatro cartuchos completos e um deflagrado, além de um colete. O Banco Bradesco foi procurado, mas até as 22h50 a assessoria não retornou aos telefonemas. No final da noite, Santos passou por uma cirurgia e estava na UTI do São Camilo. / COLABOROU JOSMAR JOZINO

PARA LEMBRAR

Projeto tentou proibir porta giratória

Em 1997, o então prefeito Celso Pitta vetou o projeto de lei 575, que proibiria o uso de portas giratórias em bancos da capital paulista. O texto, de autoria do vereador Dalton Silvano (PSDB), foi recuperado oito anos depois, mas o então prefeito José Serra também bloqueou a tentativa. Em 2007, a Câmara derrubou o veto novamente e a lei entraria, enfim, em vigor no dia 17 de abril do ano seguinte.

No entanto, dias antes disso acontecer, o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Rodrigo Pinho, ajuizou uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) contra a lei. Ele lembrou que a lei federal 7.102/83 impede que instituições financeiras funcionem sem equipamentos de segurança.

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