Vigia coloca acusado na cena do crime

O vigia noturno Domingos Andrade afirmou ontem ter visto o acusado momentos após o crime na rua onde as vítimas foram assassinadas. Em 2 horas e 40 minutos de depoimento, o vigia afirmou por diversas vezes que o réu esteve na Rua Traipu, na residência onde o casal foi morto, em Perdizes, zona oeste da capital. Ele trabalhou por 11 anos no local. "Não sou louco, não rasgo dinheiro. Tenho certeza absoluta que era ele", disse.

O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2013 | 02h03

Semianalfabeto e de origem simples, Domingos teve suas afirmações questionadas e colocadas em dúvida pela defesa. Pressionado, o vigia caiu em contradição sobre o local onde avistou o réu, a cor das roupas que usava e a posição em que estava em relação à casa. Nervoso, afirmou inicialmente que Gil estava acompanhado por um homem. Momentos depois, disse que não poderia definir o sexo do acompanhante. Os disparos contra as vítimas, de acordo com a testemunha, foram ouvidos por volta das 21 horas e fizeram com que ele deixasse sua guarita, a cerca de 80 metros do portão da casa. Ao juiz Adilson Paukoski Simoni, Domingos reconheceu ter contado sobre os fatos apenas no terceiro depoimento prestado à polícia. E afirmou que passou a ser ameaçado após fazer a revelação - o que o levou a entrar no programa de proteção a testemunhas, assim como sua mulher. A guarita onde o guarda trabalhava foi queimada dias após o crime.

Para os advogados Marcelo Feller e Thiago Gomes Anastácio, o testemunho foi confuso e importante para inocentar Gil. Diante dos jurados, ambos assumiram a estratégia de diminuir a capacitação do vigia, considerado "humilde demais" para entender até as perguntas feitas por eles. A defesa chegou a pedir a Domingos que dissesse qual a cor da bolsa de uma espectadora do júri, posicionada na plateia. Constrangido, a testemunha não respondeu.

O promotor de Justiça Rogério Zagallo, responsável pela acusação, chegou a reclamar formalmente da forma como a defesa tratou a testemunha. / A.F.

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