Viga que matou criança estava podre, diz laudo

Perito afirma que falta de manutenção no suporte do balanço causou o acidente no hotel em Águas de São Pedro

CHICO SIQUEIRA , ESPECIAL PARA O ESTADO , ARAÇATUBA, O Estado de S.Paulo

04 Agosto 2012 | 03h03

Laudo divulgado ontem pelo Instituto de Criminalística de Piracicaba confirmou que estava podre a viga de madeira que sustentava o balanço usado por Inês Schaller, de 4 anos, que morreu em 23 de julho no Grande Hotel Águas de São Pedro, no interior de São Paulo. A viga caiu e atingiu a criança.

Ela estava hospedada no hotel com os pais. A família mora na França e passava férias no Brasil.

Segundo o perito criminal Jefferson Willians de Gaspari, que assina o laudo, o acidente foi causado por uma ruptura na região em que a viga se encaixava nas duas colunas laterais, também de madeira, que a sustentavam. Segundo o perito, a decomposição da madeira era tão antiga que a perícia encontrou raízes na madeira. "Essa viga estava havia muito tempo sofrendo as intempéries do tempo e por isso estava em decomposição, tanto que encontramos raízes nela, formando um substrato adequado ao desenvolvimento de plantas", afirmou o perito.

Gaspari disse que a situação ocorreu porque, muito provavelmente, o brinquedo não passou pelas manutenções previstas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). "A associação prevê que esse tipo de brinquedo deve passar por manutenção de técnicos especializados pelo menos duas vezes por ano. Muito possivelmente, isso não aconteceu ou se aconteceu, a manutenção foi malfeita."

Outra irregularidade, segundo o perito, foi encontrada na maneira como a viga era presa às colunas. "As normas técnicas estabelecem que as ligações mecânicas entre peças de madeira sejam presas por dois pinos de metal, para sustentar a vibração do brinquedo. Lá, a viga estava presa com um pino."

A Assessoria de Imprensa do hotel disse que não foi informada ainda sobre o laudo e só se pronunciará quando tiver acesso ao documento oficial. O hotel negou ainda ter relacionado a queda da viga ao fato de que mais pessoas estariam no balanço.

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