Vídeos mostram preparação de matador

Assassino de Realengo chama vítimas de bullying de 'irmãos', defende ação contra 'covardes' e culpa até as autoridades pela chacina

Tiago Rogero, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2011 | 00h00

Em cinco novos vídeos divulgados ontem pela Secretaria de Segurança Pública do Rio, o atirador Wellington Menezes de Oliveira, autor do massacre na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, afirma que o bullying sofrido por ele nos anos em que estudou na instituição foi a principal motivação para o crime.

"Eu era agredido, humilhado, ridicularizado (...), mas o que mais me irrita hoje é saber que esse cenário vem se repetindo sem que nada seja feito contra essas pessoas covardes e cruéis", diz Wellington, em um dos vídeos. O material apresentado inclui também sete fotos e textos escritos pelo assassino. Todos os arquivos digitais foram encontrado no computador que Wellington tentou destruir na véspera do massacre, quando colocou fogo em objetos pessoais na casa onde morava, em Sepetiba. O material mostra a preparação de Wellington não só para as mortes, mas para a repercussão que o caso teria, com mensagens aos "irmãos", forma como se refere às vítimas de bullying.

Justificativa. Lendo textos ou falando diretamente para a câmera, Wellington tenta justificar o assassinato de 12 crianças como resposta a "covardes". O assassino culpa as "autoridades escolares" por cruzarem os braços diante do problema. "Se tivessem descruzado os braços antes, provavelmente o que aconteceu não teria acontecido. Eu estaria vivo. Todos os que matei estariam vivos", diz o atirador no vídeo em que aparece com a fisionomia mais assustadora.

A confusão mental de Wellington fica ainda mais evidente na gravação que ele fez na véspera do ataque. O atirador volta a saudar os "irmãos" e diz "hoje é quarta-feira, dia 6 de outubro de 2011". O dia, na realidade, era 6 de abril. Além de relatar outra suposta humilhação ocorrida naquele mesmo dia, em um ponto de ônibus, o assassino revela que passou a noite no Hotel Shelton, que fica em Realengo, "para me preparar".

Localizada em Campinho, bairro próximo de Realengo, a hospedaria faz parte de uma rede de motéis, tem mais de 40 quartos e cobra por períodos entre 4 e 12 horas. Funcionários prometeram verificar gravações das câmeras de segurança para confirmar a presença de Wellington. A direção do Shelton não quis pronunciar-se. A assessoria de imprensa da Polícia Civil confirmou que agentes da Delegacia de Homicídios estiveram no local, mas não conseguiram confirmar se Wellington passou a noite no hotel.

Em outro vídeo, o atirador lê um esboço da carta encontrada junto a seu corpo no dia do massacre. Em outra gravação, afirma que não é o responsável pelas mortes. "Lembrem-se que essas pessoas (que cometem bullying) foram as responsáveis por todas as mortes, inclusive a minha", diz o assassino.

Elogios. Wellington ainda "parabeniza" o garoto australiano Casey Haynes, famoso pela divulgação, na internet, de um vídeo em que se defende de um agressor aplicando um golpe de luta livre. Também menciona o sul-coreano Cho Seung-Hui, que invadiu o Instituto Politécnico e a Universidade Estadual da Virgínia (EUA) em 2007, matando 32 pessoas, e Edimar Aparecido Freitas, que entrou atirando em 2003 no colégio onde estudou em Taiúva (SP), ferindo oito pessoas e se matando logo depois. Wellington os descreve como "ícones na luta contra os infiéis". Nas fotos divulgadas, Wellington aparece segurando duas armas carregadas, apontando uma delas para a câmera. Em outra imagem, o atirador empunha o revólver contra a própria cabeça. / COLABOROU ALFREDO JUNQUEIRA

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