JF Dorio/AE
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Vídeos, escutas e depoimentos: as novas provas no caso da juíza

Polícia do Rio obteve novas imagens dos PMs planejando execução; escutas mostram ligação de oficial com executores

SABRINA VALLE, RIO, O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2011 | 03h01

Novas imagens reveladas ontem pelo Fantástico, da TV Globo, mostraram policiais tramando a morte da juíza Patrícia Acioli em 11 de agosto, dia do crime. A polícia chegou às imagens após o cabo Sérgio Costa Júnior, um dos dois autores dos disparos - que fez um acordo de delação premiada -, contar detalhes do crime em troca da redução de sua pena.

As cenas, gravadas por volta das 16h, poucas horas antes do assassinato, mostram o tenente Daniel dos Santos Benitez caminhando na ponte de acesso ao condomínio em que a juíza seria alvejada horas depois com 21 tiros. Benitez teve a cobertura de Costa, que o acompanhava de moto. Os dois são do Batalhão da PM de São Gonçalo, no Rio.

Minutos depois, as cenas mostram os dois deixando juntos o lugar. De noite, a juíza sai de seu gabinete e dirige 29 quilômetros para casa, seguida por um carro dirigido pelo cabo Jovanis Falcão Júnior. Falcão encerra a perseguição quando é alcançado pela moto em que estavam Costa e o tenente Benitez.

Na reportagem, escutas mostram que Benitez encomenda bebidas dentro do batalhão em que está detido. Em outra ligação, revelam a visita do tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira, comandante do batalhão, que foi "dar uma força" a Benitez e aos detidos, antes que ele próprio fosse preso e acusado de ser o mandante do crime. Nas conversas, Oliveira é chamado de "Zero Um" pelos PMs. Benitez se mostra contente com a visita: "É sempre bom receber amigos".

Em sua primeira entrevista, o cabo Costa revela que, sem saber, a juíza já havia escapado de duas emboscadas naquela semana. Em uma das ocasiões, ela havia saído mais cedo e os PMs abortaram o plano. Costa, Benitez e Falcão estão presos com outros oito PMs acusados no caso. Costa diz que o coronel mandou matar a juíza pois ela colocava em risco o faturamento ilegal que ele obtinha. O esquema de corrupção levantava entre R$ 10 mil e R$ 12 mil mensalmente. O que passasse deste valor, segundo o cabo, iria para o coronel.

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