Vídeo aumenta dúvida sobre confissão do maníaco de Guarulhos

Para juiz, Leandro Rodrigues disse ter assumido morte sob tortura; julgamento de ‘inocentados’ será dia 18

Bruno Tavares, O Estado de S. Paulo

09 de novembro de 2008 | 07h50

A nove dias do julgamento dos três rapazes acusados de matar uma mulher e colocados em liberdade após suposta confissão de Leandro Basílio Rodrigues, apelidado pela polícia de Maníaco de Guarulhos, ainda restam dúvidas sobre a inocência dos réus. Parte das incertezas está retratada em dois vídeos obtidos pelo Estado: num deles, feito pelo Setor de Homicídios de Guarulhos, Rodrigues dá detalhes sobre a abordagem e a execução de Vanessa Batista de Freitas. Em outro, produzido por um juiz, ele nega ter sido o autor do assassinato e acusa policiais de o terem torturado. Veja também:Assista ao vídeo A reviravolta no caso aconteceu em setembro, com a prisão de Rodrigues. Ao chegar à delegacia, ele teria confessado 50 homicídios. Mais tarde, admitiu três estupros seguidos de morte - incluindo o de Vanessa, em 2006. O problema é que, tanto para a polícia quanto para o Judiciário, o assassinato estava esclarecido havia dois anos. Os acusados eram Renato Correia Brito, ex-namorado da vítima, William César de Brito Silva e Wagner Conceição da Silva. Presos desde a época do crime, os três foram soltos e também disseram terem sido torturados. O vídeo anexado recentemente ao processo pelo Setor de Homicídios começa com a ida de investigadores e de Rodrigues ao local onde o corpo de Vanessa foi encontrado. Nele, ouve-se conversas entre os policiais - não há declarações do acusado. As cenas seguintes foram feitas já dentro da delegacia. O delegado Jakson César Batista, supervisor do Setor de Homicídios, começa dizendo que o acusado vai dar detalhes sobre o local em que a vítima foi abordada. Em seguida, pergunta: "Quando arrastou ali, você já sabia o que ia fazer: roubar e matar. Ou não?" O acusado faz que sim com a cabeça. Num momento de descontração, o delegado diz: "Não falei que esses caras (investigadores) são legais?" Rodrigues responde: "No julgamento eu vou parabenizar vocês aí. Independente de tudo, estão me tratando como ser humano." Dias depois, ao ser interrogado pelo juiz Jayme Garcia dos Santos Júnior, Rodrigues voltou atrás. "Como foi a confissão do crime da Vanessa?", indaga o juiz. "Não fui eu que cometi, não. Fui torturado, na verdade", responde o acusado. "Por que o senhor levou a polícia até o local?", questiona o juiz. "Eles me levaram até o local, me mostraram o lugar certo onde estava o cadáver", afirma. "Fizeram isso ameaçando minha família." O juiz então quis saber se os policiais deram um "roteiro" de como deveria ser a confissão. "Falaram as roupas que ela (vítima) usava no dia. Uma bota, um lenço e não lembro o resto", diz o acusado. "Eles falaram por que você tinha que confessar?", indaga o juiz. "Não falaram nada." A pergunta seguinte é sobre o teor da suposta ameaça dos policiais. "Falaram que iam seqüestrar meu filho, porque viram o nome dele no meu braço."

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