Vida na Bolsa

Luiz Ohara foi fotografado em meio à multidão de operadores da Bolsa de Valores de São Paulo em 1993. Era o auge do pregão viva-voz, que não existe mais

Edison Veiga e Rodrigo Burgarelli, Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2012 | 21h30

Toda aquela confusão de berros, empurrões, esbarradas e gritos que podiam fazer de alguém milionário ou pobretão em apenas um instante já virou museu. A ampla sala da Bolsa de Valores de São Paulo, onde mais de 2 mil operadores já se acotovelaram em um só dia, agora recebe apenas turistas e curiosos. Desde 2009, quando o pregão viva-voz foi aposentado definitivamente, as negociações só são feitas pela internet, de qualquer computador conectado ao sistema. O que, na sincera opinião do operador Luiz Donizette Ohara, só serviu para aumentar a tensão e as dores nas costas.

Luiz Ohara no meio da multidão e hoje. Fotos: Ari Vicentini/AE-28/4/1993 e Clayton de Souza/AE

“Pode não parecer, mas naquela época toda essa gritaria e o corre-corre para lá e para cá serviam para aliviar o estresse. Eu saía daqui renovado”, conta Ohara, enquanto visita o salão da BM&F Bovespa quase 19 anos depois de ser clicado anonimamente pelo fotógrafo do Estado no meio de um grupo de operadores. A reportagem só conseguiu encontrá-lo para refazer a foto com ajuda de ex-operadores que o reconheceram.

Ohara, com 56 anos, segue trabalhando como operador, profissão que exerce desde 1976. Seu ânimo, porém, já diminuiu, principalmente por causa dessas mudanças. “Hoje é algo muito mais frio e a tensão é muito maior. A decisão tem de ser tomada em centésimos de segundo. Se você errar, colocar uma vírgula fora do lugar, já não tem mais jeito de desfazer ou tentar remediar, como fazíamos naquela época.” E nem o conforto da cadeira compensa? “Que nada. Só faz doer as costas. E aumentar a barriga.”

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