Viajante sofre com recusa de dólar antigo

Em alguns países, cédulas são recebidas por 20% menos que o valor de face; na Europa, só se aceitam séries posteriores às de 1996

Márcio Pinho, O Estado de S.Paulo

14 Março 2011 | 00h00

Turistas brasileiros que viajam ao exterior com dólares enfrentam cada vez mais uma armadilha que pode deixá-los sem dinheiro para pagar contas e acertar até mesmo hospedagens de hotéis. Algumas séries de notas de US$ 100 são menos aceitas por comerciantes, hotéis, taxistas e casas de câmbio em diferentes países. Ou só são aceitas por valor inferior - em alguns casos, chegando a 20% menos.

Com novas cédulas sendo jogadas no mercado a cada ano pelo governo americano, algumas séries antigas que ficaram associadas a problemas de falsificação, como as de 2001 e 2003, estão marcadas no comércio internacional. E as das décadas de 1980 para trás têm recusa certa em alguns países. Segundo Rogério Silva, da mesa de operações de câmbio do Banco Paulista, houve diversos relatos de notas não aceitas durante a última Copa do Mundo de futebol, na África do Sul, por fazerem parte desses grupos.

Carudas. Quanto mais recente, mais facilmente a nota é aceita por um estabelecimento comercial. As notas preferidas são as feitas a partir de 1996, que têm uma figura grande de Benjamin Franklin, e não apenas o rosto dentro de um círculo no meio do bilhete, como as anteriores. As "carudas" têm mais dispositivos de segurança contra falsificações, como um numeral 100 que muda de cor conforme a nota é balançada.

Praticamente só elas são recebidas por lojistas de Europa, Ásia, Oriente Médio e Chile. Quem vai viajar deve ter cuidado redobrado: as notas anteriores a 1996 são consideradas igualmente válidas pelo governo americano e, por isso, acabam vendidas em várias casas de câmbio no Brasil.

A nota de 1988, por exemplo, é recusada amplamente - por causa das fraudes verificadas naquele ano. Em 2001, já com o novo modelo, notas falsas foram encontradas no Peru, com suspeita de que viessem do Paquistão. Por conta disso, as notas que começam em séries CB e AB, com o código B2 abaixo, também ficaram marcadas.

A professora Eico Uemura, de 68 anos, foi uma das vítimas das notas "suspeitas" e acabou perdendo dinheiro. Conta que uma nota sua de 1988 não foi aceita em um serviço de câmbio de uma loja de departamentos na Rússia. Na Dinamarca, passou por problema semelhante, mas, como precisava trocar parte do dinheiro que levava aceitou um valor menor. "Fui pega de surpresa. Agora, só peço as carudas", afirma.

Até no Mercosul. A OMDTVM, que assim como o Banco Paulista também comercializa notas antigas, orienta quem vai a Argentina, Paraguai e Bolívia, em especial, para optar por notas feitas desde 1996 . Em Cidade del Este, lojas têm placas próximas aos caixas informando que séries que começam com "D" não são aceitas.

No Paraguai, as restrições têm valor definido. Notas de US$ 100 antigas são aceitas, porém, com 10% ou 20% a menos do que o valor para negociações. A justificativa dos comerciantes é que existe o risco de que seja falsa - e também há dificuldade de passar a nota adiante.

As agências orientam seus clientes a levarem moedas do próprio pais. Comprar dólar para depois trocar no país visitado é perder dinheiro, alerta a Confidence Cambio. O diretor Fábio Agostinho diz haver problemas na Venezuela e na Bolívia. Ali, os mais receosos são os comerciantes que não têm luz negra e outros equipamentos para atestar que a nota é verdadeira.

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