JF Diorio/Estadão
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Viagens curtas mudam 1/3 dos itinerários

Prefeitura prevê atração de mais 952 mil pessoas por dia para o sistema com alteração nas rotas; processo só deve ser concluído em 4 anos

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

25 Abril 2018 | 03h00

SÃO PAULO - A Prefeitura de São Paulo prevê que a nova licitação do transporte público atraia mais 952 mil pessoas por dia para o sistema, além de criar 105 mil vagas. Para fazer isso, a ideia é estabelecer trajetos curtos que, na prática, vão levar a alterações em um de cada três itinerários na capital.

Para explicar a redução de coletivos e linhas com acréscimo do número de lugares oferecidos a cada viagem, a gestão Bruno Covas (PSDB) argumenta que os novos ônibus serão maiores nos eixos de grande circulação, de ligação entre os terminais. Mas as mudanças no sistema, com o corte e a alteração de linhas, só deverão ter início 12 meses após a assinatura dos contratos. “Nenhuma mudança de linha será feita sem que a população seja informada”, afirma o secretário municipal de Mobilidade e Transportes, João Octaviano. 

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O processo de mudança, ainda segundo o secretário, só deverá ser concluído em quatro anos. O valor por ano do serviço, pouco mais de R$ 8 bilhões, é o mesmo que a cidade gasta hoje com os coletivos, incluindo aí as receitas vindas do pagamento direto da passagem, feito na catraca, da venda de créditos para o bilhete único (em todas as modalidades) e dos subsídios que a Prefeitura gasta com o sistema (em 2018, a previsão é de R$ 2,2 bilhões).

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Ainda ao falar da manutenção dos mesmos custos praticados atualmente, Octaviano argumentou que os empresários de ônibus do Município terão lucro menor que o atual. “A taxa de retorno deles vai cair de 14% para 9,8%”, afirmou. O sindicato dos empresários (SPUrbanuss) só deve se pronunciar  sobre a mudança, mas diretores já deram a entender que vão cobrar “contrapartidas” que não estão claras na licitação, incluindo construção de terminais de ônibus e melhorias no viário paulistano.

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Empresários que já estão na cidade ainda terão a vantagem de não precisar adquirir novas garagens. Já algum empreendedor de fora, que quiser participar do processo, terá de comprar um terreno para abrigar os coletivos e arcar com custos. A previsão é de que os envelopes com as propostas dos interessados sejam abertos entre 11 e 13 de junho. 

Novos veículos terão Wi-Fi, acessibilidade e ar-condicionado

Ao comentar o fato de que a cidade terá menos ônibus em operação, mas por um mesmo preço, o secretário João Octaviano afirmou que o edital prevê a substituição dos coletivos atuais por veículos mais novos, com ar-condicionado, Wi-Fi, tomadas USB e câmeras de vigilância. “Terão toda a tecnologia embarcada”, afirmou. 

Outro ponto é a expectativa de melhora de conforto do passageiro também no trajeto. A média de lugares em cada ônibus do sistema, contemplando desde os micros até os biarticulados, vai passar de 79 para 89. Já a cobertura das linhas que hoje atinge 4.680 quilômetros de vias deve ir para cerca de 5.100 quilômetros.

Todos os coletivos também deverão contar com rampas e acessibilidade total. Eles deverão ter ainda limitador de velocidade em 50 km/h (como já ocorre atualmente) e sistema de movimentação vertical da suspensão (o que reduz os “solavancos” na viagem).

A Prefeitura também trabalha com a previsão de que com um número menor de linhas nos corredores e faixas exclusivas os coletivos perderiam menos tempo nos congestionamentos, o que compensaria o tempo parado nas baldeações. O corte de linhas que se sobrepõem deve provocar um aumento de apenas 4% nas integrações feitas pelos passageiros. 

Questionado sobre essa nova lógica pelo Estado, o professor Claudio Barbieri da Cunha, do Departamento de Transpores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), observou em dezembro que é possível que, mesmo com integrações, as viagens fiquem mais rápidas para o passageiro. “Há uma superoferta de ônibus no centro”, considerou. 

Pesquisa de satisfação. A concorrência traz ainda alterações no cálculo dos valores pagos às empresas, considerando atendimento ao público. Atualmente, a São Paulo Transporte (SPTrans), empresa que gerencia o transporte municipal em São Paulo decide quanto uma empresa de ônibus vai receber calculando quais são os custos fixos para operar determinada linha com determinado número de partidas por hora. Então, divide esse valor pelo número estimado de passageiros na linha. 

Agora, além dos cálculo baseados nos custos, as empresas terão remuneração completa se as pesquisas de satisfação mostrarem aprovação à linha e se os índices de qualidade da companhia estiverem em grau de excelência - com menos acidentes, por exemplo. E terão descontos por falhas, como o não cumprimento da hora de partida.

Ambiente.Octaviano também citou o fato de que a Prefeitura determinou que os novos coletivos tenham fontes energéticas menos poluentes que o diesel atual - apesar da previsão de que a frota só será 100% limpa daqui a 20 anos. 

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