Viagens constantes irritavam cabeleireiro morto no vôo 3054

Renato pretendia mudar de vida e se dedicar mais à família e ao seu salão de beleza no norte de Minas

Eduardo Kattah, do Estadão,

20 de julho de 2007 | 00h35

O cabeleireiro Renato Soares da Silva, 39 anos, andava irritado com as viagens constantes e o tempo que passava em aeroportos pelo País, em razão dos cursos que costumava ministrar. Mas a promessa de se dedicar mais à família e ao seu salão de beleza, na região de Venda Nova, zona norte de Belo Horizonte, não pôde ser cumprida. Vítima da tragédia com Airbus A-320 da TAM, no início da noite de terça-feira, uma placa de luto no sobrado onde funciona o salão Visage informava na quinta-feira, 19, sobre sua morte.   Veja também:  Cobertura completa do acidente com o vôo 3054 da TAM   Funcionários contaram que Renato andava cansado e pretendia mudar sua rotina. "Ele tinha clientes fora, estava com passagem marcada para os Estados Unidos em agosto, mas já estava pensando em desistir", contou a gerente Andréia Lima, de 40 anos.   O falecimento do cabeleireiro comoveu clientes e vizinhos. "A irritação dele parecia até um pressentimento", comentou uma moradora. Maria Soares, 69 anos, mãe de Renato, passou mal e precisou ser internada ao receber a notícia da morte do filho. Um dos seus cinco irmãos ficou encarregado de reconhecer o corpo em São Paulo.   Além de Renato, pelo menos outros cinco mineiros morreram no acidente com a aeronave da TAM. Familiares do comissário de bordo Álvaro da Rocha Pinto Breguêz, 36 anos, de Governador Valadares, na região leste do Estado, embarcaram na quinta-feira para a capital paulista. Álvaro trabalhava como comissário de bordo da TAM há um ano e era dono de uma escola de inglês em Porto Alegre. No dia da tragédia, porém, estava de folga e havia se encontrado com uma sobrinha que desejava seguir a mesma profissão.   A mãe, Regina Célia, 69 anos, levou documentos e esperava identificar sinais de nascença para ajudar no reconhecimento do corpo do filho. A família deseja que Álvaro seja enterrado em Governador Valadares.   Parentes de dois funcionários da Companhia de Tecidos Norte de Minas (Coteminas), empresa do vice-presidente da República, José Alencar, também se deslocaram para a capital paulista. O vice-presidente industrial da companhia, Pedro Garcia Bastos Neto, recebeu em Londres a notícia da morte do filho, Rospierre Vilhena, 33 anos. O engenheiro pretendia se casar no ano que vem com a noiva Renata.   Pedro Garcia desembarcou na manhã de quinta em São Paulo. Familiares do diretor da unidade de Montes Claros (MG), Fábio Vieira Marques Júnior, 56 anos, outra vítima fatal do acidente, também seguiram para a capital paulista.   Morreram também no acidente o estudante de direito Bruno Nascimento, de 21 anos, e a farmacêutica Marta Maria Franco Laudares, 63 anos. Bruno nasceu em Ituiutaba, na região do Triângulo, mas morava há 15 anos em Rondonópolis (MT), onde cursava a faculdade. Diretora da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), a farmacêutica havia se mudado recentemente para São Paulo.

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