Viagem leva até 12h e motoristas relatam terror

Carreta evitou tragédia, ao segurar carros e impedir que despencassem na Serra do Mar

O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2013 | 02h02

Com a interdição da Rodovia dos Imigrantes, motoristas que tentaram descer ao litoral sul ou subir para a capital paulista pela Via Anchieta chegaram a enfrentar até 12 horas de viagem.

Esse foi o caso do administrador Veimar Miranda de Souza, de 48 anos, que saiu do Guarujá para São Caetano do Sul, no ABC paulista, onde mora. "Passei no pedágio da Rodovia Cônego Domênico Rangoni às 18h52 e só saí no trecho de planalto da Anchieta às 6h50. É um absurdo", disse. Já o motorista de ônibus Marcelo Alves Salvador, de 44 anos, deixou às 18h50 a Estação Conceição do Metrô, na zona sul da capital, e só chegou ao Guarujá às 5h. "Nunca demorei tanto. E fiquei preocupado, sabendo que o barranco poderia cair."

O medo de Salvador foi também o sentimento que tomou conta dos motoristas que atravessavam a Rodovia Imigrantes quando a enxurrada ameaçou arrastar carros, caminhões e ônibus para fora da estrada na noite de anteontem, em um desfiladeiro na Serra do Mar. Desespero e impotência marcaram os sobreviventes do desartre entre os túneis 10 e 11 da pista norte. Uma carreta, que virou em "L", segurou a avalanche de veículos.

Fora do normal. "Você vê um tronco passando e parece brincadeira. De repente, perde o controle de tudo", disse o engenheiro João Hohendorff, de 36 anos.

Segundo o taxista Leonardo Bressan Neto, de 58 anos, foi tudo rápido. "A lateral do túnel estava despejando muita água e cascalho. Aí, desceu o morro. Tronco, lama, pedra, tudo. Foi só o tempo de pular uma mureta para me proteger", disse.

A carreta de uma cervejaria serviu de barragem e evitou que mais carros fossem carregados. "Foi acumulando, encobrindo e formou um dique de barro, pedra e lama na frente do caminhão. As pessoas começaram a correr, desesperadas", disse o dono de transportadora Francisco Vitor Beltramini, de 51.

"Quando parou de descer a enxurrada, o pessoal tentou liberar a saída, tirando paus e pedras do caminho. Veio todo mundo descendo, por 4 km, debaixo de chuva pesada. De mãe carregando bebê de colo até pessoas mais velhas, todas a pé", disse o supervisor de manutenção Marco Túlio Marcelino, de 42 anos, que retornava de Santos para São Paulo.

Segundo o carreteiro Irineu Anderson Leme Vieira, de 47, o volume de água chegou à altura do para-brisa de seu caminhão. "A carroceria pulava com as pedras que passavam debaixo dela.

Com a mulher e a filha de 11 anos, o encarregado Benedito Emílio de Andrade, de 68, também viveu momentos de terror. "A enxurrada quebrou o vidro do meu carro." Já o taxista Antonio de Melo, de 66, contou que a água só não entrou em seu carro porque ele ficou por cima dos outros. Sou caminhoneiro também, já rodei em tudo quanto é lugar e nunca vi uma coisa dessas. Só estou de pé por Deus." / WILLIAM CARDOSO e CAIO DO VALLE

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