Alex Silva/ESTADÃO
Alex Silva/ESTADÃO

Viaduto rachado na Marginal do Pinheiros vira ponto turístico

A partir do Parque Villa-Lobos, na zona oeste, cidadãos fazem selfies com estrutura desabada ao fundo

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

20 de novembro de 2018 | 21h27

SÃO PAULO - Sem precisar investir R$ 1, o Parque Villa-Lobos, na zona oeste de São Paulo, ganhou um novo mirante no feriado da Consciência Negra. Com vista privilegiada para a Marginal do Pinheiros, um barranco nos fundos do parque acabou virando atração turística com ciclistas, corredores e até famílias que pararam para acompanhar as obras do alto ou tirar uma selfie do viaduto que cedeu na semana passada.

Entre os curiosos, estava a estudante Emília Nunes, de 23 anos. Ao notar a aglomeração no morrinho do Villa-Lobos, ela parou um pouco o cooper, sacou o celular e fez uma foto com o viaduto ao fundo. “Todo mundo na rede está comentando, né?”, justificou, ainda esbaforida após ter corrido cerca de 17 quilômetros. Depois de conferir a imagem, ficou satisfeita com o click: “Vou usar no meu perfil do Whatsapp”.

Moradora de Osasco, na Grande São Paulo, Emília prevê transtornos quando o feriado passar. “Eu uso a Linha 9-Esmeralda (da CPTM) para ir para o trabalho, mas amanhã vou pegar um ônibus até o Butantã e usar a Linha 4-Amarela (do Metrô).”

Por ser mais elevado, praticamente no nível do viaduto, o barranco permitia driblar os tapumes que foram instalados pela Prefeitura para afastar os curiosos da via. Frequentador assíduo do parque, o empresário Renê Ramos, de 45 anos, passeava com a mulher, os dois filhos, primos e sobrinhos e foi dar conferida no horizonte. De tanta gente – eram dez pessoas, ao todo, e um cachorro –, ficaram coladinhos um no outro para enquadrar a foto. “A situação é trágica, mas acabou virando uma atração nova do parque”, disse.

Usuário de carro, Ramos acredita que ao trânsito ficará caótico com o fim da folga. “No feriado, a gente já estava levando uma hora em trechos que dá para fazer em 15, 20 minutos”, comentou. “Vou evitar a Marginal e usar só caminho alternativo”, afirmou.

Também morador da região, o engenheiro Rodrigo Ragoni, de 31 anos, é outro que vai evitar a via a todo custo. “Minha sorte é que estou com obras no outro lado da cidade”, contou. Ele aproveitou uma parada com a bike para preparar um storie do Instagram. Compôs a publicação com a foto do viaduto escorado, a localização (“São Paulo - Brazil”) e uma imagem animada de um operário com cara de assustado. “O melhor é gif do carinha da obra desesperado”, riu.

Nem todos, porém, achavam graça. “É para deixar guardado, de memória, e lembrar que o viaduto caiu”, disse o estudante Oliveira Melo, de 22 anos, que também guardou uma recordação no celular, mas não planejava postá-la.

Pedalando sozinha, a ciclista Nani Isoppo, de 45 anos, deu só uma encosta no barranco e fez poucas fotos. Era outra que não queria publicar em nenhuma rede social. “Olho para aquilo e me dá vontade de chorar, sabia?”, comentou. “Eu sou paulistana de coração, nasci aqui e vivo aqui. Dá dó de ver uma cidade que movimenta tanto o Brasil nesse estado.”

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