Epitacio Pessoa/AE
Epitacio Pessoa/AE

Viaduto no Sacomã se torna refúgio de viciados e ladrões

Aberturas no concreto permitem entrada em ''labirinto'' no complexo viário que dá acesso à Via Anchieta, na zona sul

Marici Capitelli, O Estado de S.Paulo

25 Março 2011 | 00h00

Assaltantes e usuários de drogas têm um esconderijo perfeito dentro da estrutura do Complexo Viário Escola de Engenharia Mackenzie, no Sacomã, zona sul de São Paulo. O complexo tem oito aberturas em pontos diferentes por onde o grupo entra ou sai. Uma delas tem até inscrição pichada: "barraco de ladrão".

Policiais militares já estiveram por dentro da estrutura. "Lá dentro é um labirinto. São verdadeiros apartamentos onde essas pessoas se escondem depois de roubar os transeuntes para sustentar o vício", contou o capitão Wagner Vila Real, da 1.ª Companhia do 46.º Batalhão. Para a PM, esse é um dos pontos que têm contribuído para a onda de assaltos no trecho urbano da Via Anchieta, como mostrou reportagem publicada anteontem.

Dentro do complexo estão roupas, cobertores, mochilas e cachimbos de crack. "É um local horrível e cujo fechamento minimizaria a violência", disse Luis Carlos da Silva, de 42 anos, presidente do Conseg.

Uma dessas aberturas fica ao lado da Praça Padre Pedro Balint, sob um viaduto na Avenida Almirante Delamare. No local, segundo a comunidade, muitos pedestres têm sido assaltados. A partir dessa entrada, os assaltantes chegam ao outro lado do complexo, em Heliópolis. "O medo é que nos levem para esses buracos", disse uma moradora do Ipiranga, que já foi assaltada e o bandido correu para uma dessas aberturas.

A PM e o Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) São João Clímaco e Heliópolis já pediram que a Subprefeitura do Ipiranga feche esses pontos. A Secretaria Municipal da Coordenação de Subprefeituras informou que não recebeu ofício mas, assim que receber, a demanda será atendida.

Ocupação. Não é só a estrutura interna do Complexo Viário Escola de Engenharia Mackenzie que está ocupada por usuários de crack e bandidos. Cerca de cem pessoas vivem embaixo do complexo e ocupam a Praça Padre Pedro Balint. Moradores de um conjunto de apartamentos na Rua Manuel Buchalla, na frente do complexo, afirmam que estão reféns do grupo.

A Secretaria Municipal de Assistência Social informou que agentes socioeducativos abordaram cerca de 40 pessoas nos últimos dias no complexo. Está programada para os próximos dias uma visita da equipe do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas Sacomã.

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