Viaduto já incomoda usuário de área verde

Frequentadores do Parque do Povo se irritam com obra; empresa destaca construção high-tech

JULIANA DEODORO, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2012 | 02h04

Prestes a ser inaugurado, o viaduto construído como contrapartida à obra do Shopping JK Iguatemi, na Vila Olímpia, zona sul da capital, já causa discórdia entre parte dos moradores da região. Mesmo sendo considerado importante pela maioria para desafogar o pesado trânsito do local, há quem reclame de sua arquitetura e localização.

Com a função de ligar a Avenida Juscelino Kubitschek às pistas expressas da Marginal do Pinheiros, sentido Castelo Branco, o viaduto foi construído a poucos metros do Parque do Povo, a área verde mais significativa da região. No início do elevado, a distância até a grade do parque é apenas a da largura da calçada: pouco mais de 1 metro.

Para a auxiliar administrativa Damaris Miquelin, de 29 anos, a polêmica está na mudança na paisagem que a obra já provoca. "Anteriormente, quando vinha correr e olhava ao redor, via limpeza. A paisagem ficou poluída, especialmente para quem sempre morou aqui. O parque foi o mais prejudicado, mas, se for realmente melhorar o trânsito, é algo a ser reconsiderado", diz.

A moradora Isabel Meirelles, de 68 anos, que caminha todas as manhãs por ali, diz que faltou planejamento para a obra, que é apenas "uma emenda em cima de emenda". "É só olhar. Agora não adianta falar se ficou feio porque não vão demolir. O mal já está feito e é uma bobagem achar isso ou aquilo", afirma.

De acordo com o engenheiro agrônomo Célio Soares, de 83 anos, que frequenta o parque sempre que vem a São Paulo visitar a filha, a preocupação está relacionada à poluição. Mineiro, mas morador do Rio há décadas, ele afirma que se incomoda com a fumaça dos carros, que passam próximos à área de convivência do parque - onde se concentram os aparelhos de ginástica. "Aqui em São Paulo as coisas são diferentes. A referência não é a natureza, mas o concreto."

Estrutura. Pequeno, o viaduto tem apenas 280 metros de extensão e, segundo a WTorre, empresa responsável pela obra, vai se destacar na paisagem paulistana justamente pelo modelo moderno, considerado high-tech. Elaborado por um escritório de arquitetura alemão, o projeto tem por base pilares simples, com acabamento metálico e iluminação especial noturna, de LED.

A ideia é fugir do estilo de construção encontrado na cidade, com ênfase para o abuso do concreto, sem cor, como é o caso do Elevado Costa e Silva, o Minhocão, na região central. Mas a comparação não cabe, segundo o educador João Fernandes, de 67 anos. Ele considera que a proximidade da obra com o parque é ruim, mas para ele a comparação com o Minhocão é exagerada. "Não é um minhocão. É, no máximo, uma minhoquinha."

Pedestre "convicta", a jornalista Edna Norin, de 51 anos, lamenta a construção do viaduto, mas o considera um "mal necessário".

Além do viaduto, a WTorre terá de construir uma ciclopassarela ligando o Parque do Povo à ciclovia que segue ao lado dos trilhos do trem, na Marginal. A obra ainda não começou porque a Prefeitura não concedeu as licenças necessárias para que a WTorre possa intervir no espaço público.

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