Via do Morumbi registra 111 crimes

Roubos e furtos ocorreram em trecho de 900 metros da Giovanni Gronchi em janeiro e fevereiro; PM diz que aumentou policiamento

Fábio Mazzitelli, O Estadao de S.Paulo

19 Março 2010 | 00h00

Num trecho de 900 metros da Avenida Giovanni Gronchi, no Morumbi, zona sul da capital, foram registrados 111 roubos ou furtos nos dois primeiros meses do ano, média de quase dois casos por dia. Em janeiro, houve 53 e, em fevereiro, 58. Em geral, as vítimas são motoristas, pedestres e clientes de estabelecimentos comerciais. A polícia admite o aumento de crimes e diz que o policiamento foi intensificado nos locais mapeados.

O pedaço mais problemático fica entre as Ruas Francisco Tomás de Carvalho e James Alvim, a menos de três quilômetros do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

Os casos foram engrossados por um tipo específico de ataque: ladrões quebram, com pedras ou velas de ignição de carros, o vidro do veículo para levar bens portáteis, como celulares e bolsas. As vítimas preferenciais são mulheres. Há relatos de agressões e, em um dos casos, um jovem de 17 anos foi ferido com um tiro. "De janeiro para cá, vi de 12 a 15 casos só nesse pedaço: roubaram clientes aqui do posto, no farol e até no ponto de ônibus", diz um frentista do Posto Via Brasil, na esquina da Rua São Pedro Fourier.

A pé. O perfil traçado pela polícia com base no relato das vítimas mostra que os criminosos raramente estão armados, são, na maioria, menores de idade, agem em grupo, a pé e moram nas favelas que margeiam a avenida, especialmente em Paraisópolis. "Essa é uma área crítica, onde tem mais congestionamento e a incidência criminal é maior. Há muitas entradas para Paraisópolis e para a (Favela do Jardim) Colombo. Iniciamos um trabalho mais específico de investigação. Os ladrões são daqui, não vêm de fora", diz a delegada titular do 89º DP (Portal do Morumbi), Silvana Françolin.

Segundo a CET, o tráfego em horário de pico na Giovanni Gronchi, avenida de mão dupla, é de 3,5 mil veículos por hora. Os engarrafamentos são frequentes porque a via é estreita, com poucas faixas. "O motorista fica de 10 a 15 minutos parado, existem poucas vias de acesso e ruas de ladeira que vão dar na favela. Então, fica muito fácil (a fuga)", diz a delegada.

Ronda. Neste mês, a Polícia Militar afirma que patrulha o trecho com dez homens, em média, deslocando carros de outras áreas para o local. Em 2010, foram presas 66 pessoas, 31 em janeiro e 35 em fevereiro. Desse grupo, 16 eram menores. "Há uma dificuldade a mais nesse tipo de crime, que é a impossibilidade de as vítimas reconhecerem os criminosos depois, por causa da rapidez da ocorrência e do susto do momento. Sem o reconhecimento, fica mais difícil prender", pondera.

A onda de crimes na via ocorre no mesmo trecho em que, um ano atrás, um grupo de moradores da Favela de Paraisópolis iniciou um protesto violento, o que causou um confronto com a Polícia Militar. Depois disso, a PM detonou a Operação Saturação e ocupou a favela por três meses, reduzindo na época os índices de criminalidade.

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