Veto faz surgir novo horário de pico em SP

Às 11h de ontem, lentidão alcançou a marca de 159 km; a média é de 53,8 km

BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

07 Março 2012 | 03h02

O índice de lentidão em São Paulo para as 11 horas bateu recorde ontem, segundo dia de restrição a caminhões na Marginal do Tietê e em outras 25 vias. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou 159 quilômetros de congestionamento - uma fila de veículos correspondente à distância entre a capital paulista e Piracicaba. A média de lentidão para o horário é de 53,8 km. A piora no índice chegou a 195%. No horário de pico da manhã, entre 7 e 10 horas, por exemplo, a média é de 95,5 km às terças-feiras.

Levantamento da Maplink, realizado com base em dados de aparelhos de GPS instalados em veículos que circulam pela cidade, considerado também mais completo que a compilação de informações da CET, registrou recorde ainda maior. Foram 449 km de filas, ou a distância entre São Paulo e Rio.

Com a permissão de trafegar a partir das 9 horas, caminhões represados voltaram às vias em grande volume de uma só vez. Dessa forma, a medida adotada pela Prefeitura para melhorar a fluidez nos horários de pico teve efeito colateral no fim da manhã.

A principal diferença entre o que se viu na segunda-feira e ontem foi que, no segundo dia de multas, nem no horário de pico a lentidão ficou abaixo da média na cidade. As filas de carros foram agravadas por um vazamento de gás ocorrido na Avenida Chedid Jafet, perto da Avenida Juscelino Kubitschek, no Itaim-Bibi, zona sul. A via ficou interditada por toda a manhã.

O maior ponto de lentidão, porém, foi justamente na Marginal do Tietê. O trânsito ficou parado na pista sentido Rodovia Castelo Branco desde antes da Ponte das Bandeiras até a Ponte dos Remédios. A restrição à circulação de caminhões na Marginal vale das 5 às 9 horas e das 17 às 22 horas nos dias úteis. Aos sábados, é das 10 às 14 horas.

Avaliação. O aumento dos índices de congestionamento fora do horário de pico já era esperado tanto por técnicos da CET quanto por especialistas em trânsito. Os caminhões, que circulavam de forma espalhada ao longo do horário de pico, entraram na cidade juntos, às 10 horas.

O secretário municipal dos Transportes, Marcelo Cardinale Branco, não foi capaz de avaliar positivamente a medida ontem. "Nem o sucesso absoluto demonstrado no pico da tarde ontem (segunda-feira) é um bom parâmetro para o que vai acontecer, nem hoje foi um bom dia para o parâmetro. Mas o que houve ontem (segunda-feira) não é o que se espera. Não esperávamos a redução de ontem (de 56%, às 19 horas). Mas ainda faltam termos de comparação, porque os dados estatísticos ainda são muito fracos. São apenas dois dias."

Branco disse que a restrição ocorre nos horários de pico porque o Trecho Norte do Rodoanel ainda não está pronto. Se estivesse, a restrição seria integral. "Minha preocupação não é com a Marginal, mas ela traz reflexos no trânsito da cidade toda, como os gráficos mostram." A restrição, garante o secretário, permanece aos caminhões na via.

A medida ainda é vista com maus olhos por engenheiros de tráfego. O consultor Flamínio Fischmann afirmou que a decisão é "pouco técnica", porque foi tomada sem a realização de um estudo sobre a origem e o destino das cargas pela Região Metropolitana. "Todos sabemos como fazer isso. Preferiram primeiro a restrição", afirmou. Sergio Ezjemberg disse que a medida é um ato "desesperado" da CET, assim como os protestos.

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