Veto a motos na 23 de Maio é adiado para julho

Secretaria anunciou mudança após reunião com sindicato de motociclistas; previsão para Marginal continua o fim do mês

Renato Machado, O Estadao de S.Paulo

20 Março 2010 | 00h00

A Secretaria Municipal dos Transportes (SMT) vai adiar por cerca de um mês e meio o início da proibição para as motos na Avenida 23 de Maio. Na quarta-feira, o secretário Alexandre de Moraes anunciou que a medida entraria em vigor entre 30 e 45 dias após a inauguração da motofaixa da Rua Vergueiro, prevista para abril. O novo prazo de adaptação passou a ser de 90 dias e foi anunciado ontem.

A secretaria, no entanto, manteve o cronograma para a proibição das motos na pista expressa da Marginal do Tietê. A medida vai entrar em vigor assim que forem inauguradas as novas pistas da via, previstas para entre os dias 27 e 29 deste mês, segundo os governo municipal e estadual.

"Realizamos uma reunião a pedido do presidente do sindicato (dos motoboys) para explicar essa nova regulamentação, que estava sendo mal entendida pela categoria", disse o secretário. "Nós não vamos proibir as motos em toda a Marginal, somente na pista expressa. E, após a inauguração da nova pista, os motociclistas vão ter as mesmas sete faixas que têm hoje."

Mudanças. A secretaria promete publicar uma cartilha para orientar os motociclistas sobre a mudança na circulação desses veículos na Avenida 23 de Maio, uma das principais vias do corredor norte-sul. A proibição será no trecho entre o antigo prédio do Detran e o Vale do Anhangabaú. O objetivo da SMT é incentivar esses usuários a usar a motofaixa da Rua Vergueiro, cujo trajeto será entre o Parque do Ibirapuera e a Praça João Mendes, no centro da cidade.

Dados da secretaria apontam que 70% dos acidentes na Avenida 23 de Maio envolvem motociclistas. Na Marginal do Tietê, a secretaria apontou um estudo em que as motos ficam nos "pontos cegos" dos caminhões - a segurança foi uma das razões para que elas deixassem de utilizar a pista expressa.

Inicialmente, a fiscalização será feita somente pelos agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Três radares em forma de pistolas serão utilizados em caráter experimental. A secretaria afirma que abrirá uma licitação para adquirir outros, caso o resultado dos estudos iniciais seja positivo.

Polêmica. A reunião de Alexandre de Moraes com uma associação de motoboys acirrou a divisão existente atualmente na categoria. O grupo que se reuniu ontem na Secretaria Municipal dos Transportes se mostrou favorável às proibições, alegando que elas servirão para reduzir as mortes entre os ocupantes de motos. No entanto, o Sindicato dos Trabalhadores Motociclistas da Cidade de São Paulo (Sindimotos), contra a medida, não participou da reunião.

Os representantes da categoria favoráveis à proibição disseram que a obrigatoriedade de usar pistas onde o limite de velocidade é menor, como é o caso da Marginal do Tietê, não causará prejuízos para os motociclistas. "Em compensação, vai ser uma pista sem os caminhões e por isso a perda de tempo não será sentida. O que importa é a segurança", diz o presidente do Sindicato dos Mensageiros Motociclistas, Ciclistas e Moto-Taxistas do Estado de São Paulo, Gilberto Almeida dos Santos, o Gil.

Em relação à Avenida 23 de Maio, o presidente da entidade acrescenta que haverá reuniões a cada 20 dias com a secretaria para discutir a eficácia da motofaixa da Rua Vergueiro.

Também participou do encontro um dos sindicatos patronais do setor de mensageiros e entrega. "Nós só não queremos que eles se machuquem. Tudo bem se as entregas durarem alguns minutos a mais. Os motoboys perdem mais tempo que isso para conseguir passar nas portarias dos prédios", diz o presidente de uma das associações Rogério Cadengue.

Críticas. As entidades que não foram chamadas a participar do encontro prometem ir à Justiça contra as medidas e realizar manifestações no dia da inauguração da nova pista da Marginal.

"Só foi convidado para esse encontro quem é a favor da proibição. Nós entregamos várias propostas e nunca fomos ouvidos", disse o presidente do Sindimotos, Aldemir Martins, o Alemão. "E lógico que somos contra a proibição, porque ela não atinge somente o motoboy, ela também pega o motociclista que usa sua moto para levar a filha na escola", criticou.

As duas entidades de motoboys agora brigam na Justiça para decidir quem representa a categoria.

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