Vestidos de festa na 'passarela-salão'

Estilistas de modelos glamourosos invadem de vez a semana da moda

VALÉRIA FRANÇA, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2012 | 03h04

Os vestidos glamourosos dos estilistas Samuel Cirnansck , André Lima e Lino Villaventura já são clássicos da semana de moda de São Paulo. Entre tantas marcas de moda casual, o público sempre aguarda ansioso por seus desfiles. São figurinos ricos, cheios de plumas e paetês, que transformam a passarela numa grande festa. Na edição passada, mais um entrou para o time da SPFW, o paulistano Rodrigo Rosner. Amanhã, será a vez do baiano Vitorino Campos, de 24 anos.

Nunca a semana de moda reuniu tantos estilistas de roupas de festas. Não quer dizer, no entanto, que a moda esteja mais elitista. "A roupa de festa é o meio mais fácil para o estilista mostrar técnica e, principalmente, fazer uma roupa mais bem acabada, numa época em que a tendência é a fast fashion (moda mais comercial)", explica Rodrigo Rosner, de 33 anos, que tem ateliê em Higienópolis, região central de São Paulo. "É uma forma de ser menos copiado", afirma.

Vitorino Campos optou pela roupa mais elaborada porque faz questão de uma costura perfeita. "Minhas peças são forradas com o mesmo tecido que usei para fazer o lado direito da roupa."

Para o desfile de amanhã na Bienal do Ibirapuera, na zona sul, Campos desenvolveu a seda da coleção numa fábrica da Itália. "Quase enlouqueci quando soube que ele usaria a seda também para forrar a roupa. É um tecido muito caro", diz a sócia de Campos, Natália Tróccoli, de 23 anos, responsável pela gestão.

Nenhum desses estilistas gosta, porém, de ser conhecido unicamente pelos vestidões de festas da SPFW. Apesar de estar aterrissando no evento, Campos não foge à regra. Há três anos com uma marca homônima, avisa que sua coleção é bem ampla. "Faço roupas para todas as horas do dia", completa o estilista, um dos mais procurados em Salvador para fazer roupas de noiva.

Chique e casual. Para dar um jeito ainda mais casual à roupa de festa, Rosner contratou Gabriel Weill, de 27 anos, para montar os looks do desfile que também apresenta amanhã. Radicado em Londres, Weill é editor de revistas de moda. "A mulher tem de usar essa roupa como se fosse jeans. Usar de uma maneira moderna. Tirar excessos de acessórios. Pegar leve na maquiagem e usar um cabelo propositalmente mais desarrumado. Para vestir uma roupa de festa, precisa ter atitude", diz Weill.

Rosner pretende mostrar ao público da SPFW um novo jeito de usar a roupa de festa. "Não é um traje que precisa ser tão cerimonioso, pode ser usado em outras ocasiões, menos formais", diz o estilista. "Minha coleção não tem só vestidão, tem calça também."

Nada básico. Em janeiro, André Lima colocou calças na passarela - na verdade, terninhos prateados, em homenagem ao vocalista Mick Jagger, dos Rolling Stones. Pode até não ser vestidão, mas nunca é só básico.

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