JÉSSICA AQUINO/ESTADÃO
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Versátil e elegante, maiô ganha adeptas na praia

Peça que antes era usada para esconder o corpo agora é moda no verão e serve até para ir na badala à noite

Valéria França, Especial para o Estado

14 Janeiro 2018 | 03h00

SÃO PAULO - Já escolheu o look de verão para as férias? Tem novidades na moda praia. A maior delas é o maiô – que nesta temporada virou peça fashion e ganhou a preferência do público jovem. 

Desde a invenção do biquíni, em 1946, o maiô foi perdendo espaço nas praias. Por muitos anos, a peça – do francês maillot, que significa traje de banho feminino – ficou associado a mulheres que queriam esconder o corpo. Quanto mais simples e discreto, melhor. 

Tudo isso mudou muito. Aos 20 anos, a estudante de Administração Isabella Schoof virou fã da peça: tem dez modelos no guarda-roupa. Isso sem contar o body e o cropped (top justo e curto) de manga longa, que costuma vestir tanto em São Paulo como na praia. “Uso muito maiô nos dias mais nublados, nos fins de tarde e até com um short, para sair à noite”, diz Isabella. “Fico bem vestida.” 

Um dos modelos que comprou recentemente e de que ela mais gosta é um maiô de estampa vichy da SummerHouse, marca de Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, que faz um estilo lady like (mais glamouroso). É um modelo frente única, bem cavado na parte de baixo e com uma faixa na cintura. “O maiô não esconde o corpo, ao contrário, deixa mais bonito.”

Isabella conta que até quem faz questão de se bronzear para ganhar a tal “marquinha” de sol no corpo não deixa de usá-lo. “A garotada tem truques, como chegar à praia de maiô, usando biquíni por baixo.” 

Proteção. Tem também a turma que foge do sol. É o caso da blogueira curitibana Keh Correia, de 27 anos, que aderiu ao maiô justamente porque o traje oferece maior proteção ao corpo. “O sol envelhece muito a pele”, diz. “Costumo passar as férias em Angra dos Reis (no Estado do Rio). Saio direto de barco e a combinação maiô e short virou básica.” 

Para a mineira Ana Silva, de 36 anos, que trabalha em São Paulo como gerente comercial, o maiô oferece muito mais conforto do que o biquíni. “Não é preciso ficar puxando e arrumando toda hora.” Ela costuma frequentar as praias de Juqueí e Maresias, no litoral norte. “Tenho visto bem mais maiôs do que antes e acho bem elegante.” 

Prova de que o maiô cresce na preferência do público está no aumento de vendas, que neste verão dobraram, segundo as grifes. Nas araras das lojas de beach wear, o maiô ganhou destaque. É a primeira peça que o consumidor vê na entrada na loja.

“Nossa modelagem se baseia nas tendências internacionais da moda, nas peças que mais vendemos e em pesquisas feitas entre as clientes com menos de 25 anos”, diz Adrinée Debelian Atlas, gerente de estilo e produto da Track & Field, que tem 168 lojas espalhadas pelo Brasil. A marca rejuvenesceu o maiô. O modelo preferido das senhoras com mais de 60 anos, o preto básico, por exemplo, ganhou novos recortes e estampa. 

Os modelos ainda fazem jogo de esconde e mostra. O look dessa temporada é a gola careca, quase na altura do pescoço, mas com recortes que deixam a cintura à mostra e calcinha bem cavada. Predomina o estampado geométrico que imita a trama do crochê. “Nossas clientes gostam muito do tom de rosa e azul”, diz Adrinée. 

Estampas. Os estilos mudam de acordo com a etiqueta. A Cia Marítima apostou em estampas tropicais, como a de folhagens e listas, mangas longas e tiras laterais. Amir Slama lançou uma coleção retrô com quatro modelos, inspirada nos anos 1980, com frases estampadas no peito como Brazilian Body, Tropical Vibes e South American Way. 

“O maiô virou um curinga no guarda-roupa. Não é apenas uma roupa de praia. Pode ser usado também na cidade com saia ou calça jeans”, diz Amir Slama, dono da marca que leva seu nome. O que levou o maiô a ser usado na rotina urbana? “A beach wear está cada vez mais elaborada”, explica. 

Outra vantagem do maiô está no preço. Hoje, ele custa o mesmo que um biquíni, de R$ 300 a R$ 600. Segundo Slama, já foi uma peça bem mais cara. O sucesso do maiô, em parte, se deve às celebridades internacionais – Kim Kardashian, Rihanna e Beyoncé – e nacionais – Ivete Sangallo, Flávia Alessandra e Daniele Suzuki. Há ainda as influenciadoras que copiam e replicam com posts no Instagram a atitude das famosas.

Moda. Cangas repaginadas e novos biquínis também estão entre as novidades. Reservada apenas para forrar a cadeira na areia, a canga ressurge como saída de praia, exatamente como foi usada na década de 1990. Ela aparece como saia envelope e é enrolada como se fosse um vestido. “(Na canga) consigo desenhar uma padronagem diferente do traje de banho, mas que ao mesmo tempo combina”, diz Carol Aranha, da SummerHouse. 

O biquíni continua a ser o item que mais vende nas lojas – oito de cada dez peças. Entre os vários modelos de calcinha – cintura alta, asa-delta e tanga –, foi a de cortininha que desapareceu das confecções. Ao contrário do top cortininha, que é imbatível e nunca falta.

A moda praia masculina também mudou um pouco. Em alta durante muitos verões, o bermudão longo de surfista começa a perder lugar para modelos mais curtos e de elástico na cintura. “A tendência é bem europeia”, diz Carol. O comprimento agora varia entre pouco acima do joelho e no meio da coxa. A camisa de linho branca é o item mais chique incorporado pelos homens na praia.

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