Vereadores são presos em ação antimilícia no Rio

Quadrilha que incluía 13 PMs, 1 comissário e 2 militares é acusada ainda de vender armas regularmente para traficantes do Alemão

Marcelo Auler e Talita Figueiredo / RIO, O Estado de S.Paulo

22 Dezembro 2010 | 00h00

A polícia do Rio prendeu ontem dois vereadores de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e pelo menos outras 23 pessoas acusadas de integrar uma milícia - quadrilha formada por policiais e especializada em explorar comunidades pobres, sob pretexto de defendê-las do tráfico.

Nas investigações da Operação Capa Preta, que desmontou o maior grupo miliciano da cidade, os policiais da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco) descobriram indícios de que o bando vendia armas para traficantes do Complexo do Alemão. A venda era do conhecimento do tenente da PM Samuel Felipe Dantas de Farias, que funcionava como "gerente" do grupo.

"Os milicianos praticaram uma venda rotineira de armas de fogo para traficantes do Complexo do Alemão. Era um fornecimento, uma venda ilegal de armas de origem desconhecida. Não especificamos o tipo de armas, mas em um das negociações obtiveram R$ 70 mil", explicou o delegado Alexandre Capote, acrescentando que não foram identificados ainda aqueles que adquiriram as armas. Na ação de ontem, ainda foi desmantelada uma central clandestina de venda de sinal pirateado de internet e de TV a cabo. A quadrilha agia em oito bairros e também explorava a venda ilegal de gás de cozinha e combustível "de origem espúria", de acordo com o Ministério Público Estadual.

Segundo a Draco, o bando, desbaratado após seis meses de investigação, funcionava desde meados de 2007 sob a chefia dos vereadores caxienses Jonas Gonçalves da Silva, o Jonas é Nós, (um soldado reformado) e Sebastião Ferreira da Silva, o Chiquinho Grandão. Abaixo deles, como "coordenador", vinha o ex-PM Eder da Silva, filho de Jonas.

Policiais presos. O grupo era composto ainda por 13 policiais militares, um comissário da Polícia Civil, um sargento do Exército, um sargento dos fuzileiros navais, outro ex-fuzileiro e 14 civis. Contra 34 pessoas foram expedidos mandados de prisão pelo desembargador Marcus Quaresma Ferraz, que acatou a denúncia feita pelo procurador-geral de Justiça em exercício, Carlos Antônio Navega. Até o fim da tarde, haviam sido presos 25 dos procurados. Os acusados foram enquadrados no crime de formação de quadrilha armada. O caso teve de tramitar no Tribunal de Justiça por envolver vereadores, que têm foro especial. Os parlamentares alegaram inocência e disseram que "confiam na Justiça".

As investigações permitiram denunciar ainda Jonas, seu filho Eder e o soldado da PM Ângelo Sávio Lima de Castro por extorsão. Com a meta de dominarem todas as revendas de gás na região, eles ameaçaram um dos revendedores, exigindo dele R$ 6 mil mensais para que pudesse continuar atuando, o que resultou na denúncia.

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