Vereadores omitiram visitas a casas noturnas em relatório de CPI

Ao menos 20 estabelecimentos, entre boates, casas de swing e de massagem, foram visitados por integrantes da CPI dos Alvarás

Adriana Ferraz, O Estado de S. Paulo

12 de novembro de 2014 | 03h00

SÃO PAULO - O relatório final da CPI dos Alvarás omite informações sobre diligências feitas por vereadores a casas noturnas da cidade. Ao menos 20 estabelecimentos, entre boates, casas de swing e de massagem, foram visitados por integrantes da comissão. A maioria das fiscalizações aconteceu no primeiro semestre, mas não há registro de nenhuma no relatório ou mesmo no arquivo da CPI.

No dia 5 de maio, Adilson Amadeu (PTB), Eduardo Tuma (PSDB) e Abou Anni (PV) foram checar se oito casas da zona sul funcionavam de forma regular. Na lista estavam as boates Romanza e Eazy Club, os centros de massagem Ching Ling, Oishii e Ponto G e as clínicas de estética Aeromassagem, Clube Miruna e Spa Futtom. No dia 16 do mesmo mês, o trio realizou mais uma blitz. Desta vez, os estabelecimentos escolhidos foram: Marrakesh, Inner Club, Enigma Club, Royal, Woods, Villa Mix, Club A, Panorama e Love Story. Ambas as listas de casas visitadas foram obtidas pelo Estado com as assessorias dos parlamentares e com o arquivo da TV Câmara, que acompanhou as fiscalizações.

Segundo a reportagem apurou, as visitas feitas no dia 16 tiveram a participação de Roberto de Faria Torres, servidor municipal flagrado tentando achacar um comerciante dentro da Câmara em um vídeo do Fantástico. O vereador Eduardo Tuma afirmou à reportagem que o funcionário ajudou a avaliar a papelada apresentada no Marrakesh, casa de swing de Moema. Nessa data, o engenheiro civil da Prefeitura, emprestado à CPI, ainda não havia sido nomeado para a função.

“Propositivo”. Relator da CPI e responsável pelo documento final apresentado pela comissão, o vereador Ricardo Nunes (PMDB) afirmou que não citou todas as diligências realizadas em seu relatório porque o objetivo do trabalho era ser “propositivo”. Segundo ele, a comissão não foi instaurada para fiscalizar comércios, mas para identificar as causas da burocracia e a morosidade no processo de obtenção dos alvarás, bem como indicar sugestões para corrigir problemas. 

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