Vereadora que forjou sequestro acaba presa

Parlamentar deixou hospital de Ponta Grossa, onde estava sob efeito de sedativos, e foi para delegacia; farsa teria relação com votação na Câmara

JULIO CESAR LIMA , ESPECIAL PARA O ESTADO , CURITIBA, O Estado de S.Paulo

04 Janeiro 2013 | 02h04

A vereadora Ana Maria de Holleben (PT-PR), de Ponta Grossa, acusada de forjar o próprio sequestro, deveria passar a noite presa. Ela recebeu alta do Hospital Regional, onde estava sob efeito de sedativos, e foi levada para a delegacia.

Por causa de sua situação instável, o depoimento previsto para acontecer durante a tarde não ocorreu, e, em vez de ficar em uma cela comum, ela permanecerá em uma sala com cama e banheiro. Três pessoas ligadas a ela permanecem detidas. Já o advogado de Ana, Pablo Milanese, deve entrar com pedido de habeas corpus para liberá-la.

A vereadora ficou desaparecida durante 24 horas e seu assessor Idalécio Valverde contou à polícia que Ana havia sido sequestrada por quatro pessoas. Na manhã de ontem, porém, Valverde, o irmão Adalto e a mulher, Suzicleia, foram presos e, segundo policiais, contaram que tudo não passava de uma farsa. A vereadora teve a prisão pedida e foi encontrada no Hospital Regional sob efeito de sedativos.

Segundo o delegado Danilo Cesto, da 13.ª Subdivisão Policial, Ana deverá ser ouvida tão logo tenha melhoras em seu quadro clínico. "Seu estado físico está bom, mas a gente percebe que ela está bem debilitada", disse. Antes de ir para a delegacia, Ana compareceu ao Instituto Médico-Legal de Ponta Grossa fazer exame de corpo de delito.

O pedido de prisão foi feito pelo delegado Luiz Alberto Cartaxo, do Grupo Tigre, especializado em situações de sequestro. Em entrevista coletiva, ele chegou a citar a possibilidade de Ana ter forjado o sequestro para obter "vantagens" na eleição da Mesa Diretora da Câmara - mas não deu detalhes. A votação foi suspensa pelos parlamentares, alertados do suposto sequestro.

Apesar de não ter sido feito o depoimento, os autos de flagrante foram enviados para a Justiça. Um juiz vai avaliar o pedido de prisão feito por Cartaxo.

Já o advogado Milanese disse que sua cliente vai ajudar na investigação. "Ela quer e vai colaborar, mas no momento oportuno." Ana e seus assessores deverão responder por formação de quadrilha, simulação de sequestro e fraude processual.

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