Vereador diz que sua BMW estava a serviço da Câmara

Calvo frisou que, durante o período, abdicou do carro oficial oferecido pela Câmara

Adriana Ferraz, Daniel Trielli e Edison Veiga, O Estado de S. Paulo

24 Março 2014 | 19h16

O vereador Rubens Calvo (PMDB) procurou o Estado na tarde desta segunda, 24, para esclarecer o uso de sua BMW particular no mandato. Ele informou que durante o período em que solicitou reembolso de notas referentes à limpeza do veículo, o mesmo estava a serviço de seu gabinete. Na época, ele havia abdicado do direito de utilizar um veículo locado pela Câmara. 

“Sempre fui honesto e lutei pelo bom senso no uso do dinheiro público”, disse o vereador. “Meu mandato é limpo e transparente e todas as minhas despesa estão em conformidade com a lei.”

Ele contou que comumente utiliza seu carro para socorrer doentes – além de vereador, Calvo é médico. Em uma dessas vezes, o passageiro teria vomitado durante o trajeto. Foi por conta disso, segundo relatou, que ele precisou gastar R$ 180 em uma higienização completa. 

Masataka Ota (PROS), citado na reportagem por gastar R$ 5,3 mil por mês com o aluguel de um Toyota Corolla – mais que o dobro dos R$ 2,6 mil do Fiat Linea oferecido pela Câmara afirmou, em nota, que no momento o contrato de locação de seu veículo “está sendo revisto e, se necessário, será rompido”.

Aurélio Miguel (PR), que somou compras para seu gabinete com compras supostamente escolares em notas fiscais de papelaria apresentadas em fevereiro do ano passado – e que, como ressaltou a reportagem, afirmou ter feito o desconto dos itens no pedido de reembolso – também enviou nota à redação. Ele afirma que o jornal “tratou o assunto sem nenhum cuidado profissional”, “explorando ao máximo as artimanhas de uma manchete exagerada”, tentando “confundir o leitor de maneira deliberada”.

O Estado publicou no domingo uma reportagem com o resultado da análise de cada uma das 7.960 notas fiscais apresentadas no primeiro ano da atual legislatura, averiguando, assim como cada parlamentar paulistano gasta os recursos públicos. O levantamento mostrou casos de quem aluga carro pelo dobro do preço oficial, compra papel higiênico para escritório político, contrata advogado em vez de recorrer aos 32 procuradores da Câmara Municipal e encomenda brindes e homenagens para agradar seu eleitorado. Entre os pedidos de reembolso feitos em 2013 há também compra de material escolar – como giz de cera e tinta guache –, flores e notas fiscais que indicam variação de até 30% na compra de um mesmo produto dentro de 30 dias, como um litro de combustível etanol. No ano passado, os 55 vereadores paulistanos foram reembolsados em R$ 9 milhões para custear despesas de gabinete.

 

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