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Vereador de Santo André é assassinado dentro de casa

Segundo a PM, Cosmo Rodrigues Cardoso (PDT) foi vítima de tentativa de roubo; criminosos não encontraram objetos de valor

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

09 Março 2015 | 08h21

Atualizada às 20h19

SÃO PAULO - O vereador Cosmo Rodrigues Cardoso (PDT), de 46 anos, que exercia seu primeiro mandato na Câmara Municipal de Santo André, no ABC paulista, foi morto com um tiro nas costas, dentro de casa, durante um assalto na madrugada desta segunda-feira, 9. Conhecido como Cosmo do Gás, por causa do seu trabalho como comerciante, ele foi espancado e posto de joelhos antes de ser atingido. O vereador chegou a ser levado ao hospital, mas não resistiu ao ferimento.

Por volta das 4h20, três criminosos armados invadiram a casa do vereador, na Rua das Minas, no bairro Sítio dos Vianas. Todos vestiam capuz. Segundo a Polícia Civil, os assaltantes usaram uma escada de madeira para subir pela casa vizinha, andar sobre o beiral e pular para a varanda da vítima, por onde podiam entrar sem arrombar nenhuma porta.

Os criminosos renderam o filho de Cosmo, um adolescente de 14 anos, que estudava na cozinha. Com uma arma apontada para o pescoço, o menino indicou o quarto em que os pais dormiam. “Na hora que eu acordei, já vi um rapaz em cima de mim. Gritei assustada, mas ele tampou a minha boca”, contou Fabiana Pereira Cardoso, mulher do vereador, que está grávida de três meses.

Das vítimas, os assaltantes exigiram R$ 200 mil que supostamente estariam com o vereador. “Nós dissemos que não tínhamos esse dinheiro. Eles falaram que, se a gente não desse, iam levar minha filha”, disse Fabiana. Ela disse também que a família não vendeu imóveis nem fez grandes movimentações financeiras recentemente.

As filhas do casal, uma de 9 anos e outra de 16, dormiam em um quarto, para onde a mulher do vereador foi levada e mantida como refém por um dos assaltantes. Cosmo foi arrastado até a cozinha, onde foi agredido com chutes e coronhadas na cabeça e nas costas na frente do filho. Depois, ele foi obrigado a se joelhar e encostar a cabeça no chão.

Pressionado a dizer onde havia guardado o dinheiro, Cosmo entregou aos assaltantes o cartão do banco e a senha, mas os bandidos se recusaram a sair ao saber que o limite de saque era de R$ 2 mil. Eles ainda vasculharam os cômodos à procura de objetos de valor e roubaram quatro relógios e um celular. O cartão do banco ficou no chão.

Antes de o trio sair pela porta da frente, um dos assaltantes disparou na direção de Cosmo. “Quando o menino atirou, os outros dois ficaram atrapalhados, não sabiam para onde ir. Eles não esperavam que ele fosse atirar”, disse Fabiana.

Investigação. Para a Polícia Civil, o mais provável é que o vereador tenha sido vítima de latrocínio e a motivação do crime, o dinheiro. “A principal linha de investigação é roubo seguido de morte”, disse o delegado Adilson Lima, titular do 6.º Distrito Policial de Santo André (Vila Mazzei).

A hipótese de execução é vista com desconfiança pelos policiais porque Cosmo foi vítima de apenas uma bala na omoplata, região do tórax com menos risco de morte. “Não descartamos que o tiro pode ter sido acidental”, disse Lima.

Os indícios apontam também que o crime foi praticado por moradores da região, uma vez que tiveram de carregar uma escada. Como na casa também funcionava o escritório do vereador, muitos eleitores iam diariamente ao local. Segundo a polícia, é provável que os assaltantes soubessem que o acesso pela varanda era livre.

De acordo com pessoas próximas a Cosmo, ele já havia recebido ameaças de sequestro de uma das filhas há cerca de um ano. Fabiana negou que o marido tenha sido ameaçado nos últimos dias. Os portões da casa, no entanto, foram trocados recentemente.

A polícia também vê poucos sinais de que o crime tenha motivação política ou ligação com o crime organizado. Um dos assessores do vereador, porém, afirmou que ele se sentia pressionado. “Ele chegou a comentar que estava muito preocupado esses dias. Talvez abrisse mão até do mandato.”

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