Vereador de Holambra é preso por ligação com o tráfico

Antonio Marcos Fernandes, do PTN, fornecia drogas para mais de cinco cidades do interior paulista

TATIANA FÁVARO,

09 de outubro de 2008 | 17h41

A Polícia Civil de Campinas prendeu em flagrante, no fim da tarde de quarta-feira, o vereador de Holambra Antonio Marcos Fernandes (PTN), 34 anos, indiciado por tráfico e associação para fins de tráfico. Segundo informou o titular da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise), Marcos Galli Casseb, o vereador fornecia drogas para pontos de tráfico em Artur Nogueira, Holambra, Jaguariúna, Mogi Mirim e Santo Antônio de Posse, na Região Metropolitana de Campinas.   Fernandes, que concorreu à reeleição no último domingo e perdeu por diferença de um voto, foi preso por volta de 17 horas, em seu sítio, no bairro Palmeiras, em Holambra. No local, a polícia encontrou 480 gramas de maconha, 1 kg de pasta base de cocaína, 1,8 kg de cocaína e 3,5 kg de produtos químicos usados na mistura para aumentar a quantidade da droga. O delegado da Dise disse que informalmente, no local do flagrante, Fernandes confessou que a droga era sua e seria distribuída na região. Oficialmente, o vereador disse que só vai falar em juízo.   A prisão ocorreu quando Fernandes recebia a visita de Thiago Almada Claudino, 26 anos. Segundo informou a polícia, Claudino tinha R$ 9,7 mil dentro de seu carro e o dinheiro seria utilizado para a compra de drogas. O carro de Claudino, um Citröen C3, e o dinheiro foram apreendidos. A polícia também apreendeu R$ 1,7 mil que estavam com Fernandes e seu veículo, um Passat, que no vidro tinha um adesivo da campanha "Sou do Bem".   A polícia chegou ao vereador após investigação que culminou na prisão de Marcelo Aparecido Ruiz, conhecido como Preá, em novembro de 2007. "Com ele, apreendemos 15 quilos de maconha e 800 gramas de crack. Prosseguimos as investigações para saber à qual quadrilha ele pertencia. Descobrimos que o Antonio Marcos Fernandes era quem abastecia o Marcelo", disse o delegado. "Ele trabalhava com médias quantidades, mas alta rotatividade de mercadoria. Sempre tinha para abastecer os clientes."   O vereador foi levado para o Centro de Detenção Provisória Campinas-Hortolândia. O diretor jurídico da Câmara de Holambra, João Batista Costa, informou que qualquer um dos outros oito vereadores ou cidadãos podem protocolar denúncia por falta de decoro parlamentar e pedir a cassação de Fernandes, mas o processo poderia demorar 90 dias, quando o mandato do vereador já terá terminado. Fernandes pode optar pela renúncia ou ainda perder o cargo após sete faltas consecutivas às sessões ordinárias. "Ele tem direito de ampla defesa, mas não sabemos como faria isso, já que está preso. Só dá para dizer que a notícia pegou todos nós da Câmara de surpresa", disse o diretor.

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