Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Verba arrecadada em operação urbana de Haddad não banca novas obras

Leilão de títulos na semana passada arrecadou menos de 10% do valor previsto e recurso é suficiente apenas para fazer projetos

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

18 de março de 2015 | 16h55

SÃO PAULO - Após um fiasco no primeiro leilão dos Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) da Operação Urbana Água Branca, que vendeu apenas 9% dos 50.000 títulos colocados à venda, a gestão Fernando Haddad (PT) admitiu na tarde desta quarta-feira, 18, em nota, que a verba arrecadada é suficiente apenas para elaborar projetos para a região -- colocar as propostas no papel. Para tirá-las, entretanto, ainda não há nenhum cronograma. O secretário Fernando de Melo Franco, responsável pela ação, recusou-se a dar entrevista sobre o assunto.

Os Cepacs foram negociados na última quinta-feira, na Bovespa, e permitiriam exploração maior dos bairros Lapa, Barra Funda e Perdizes, na zona oeste de São Paulo. Os papéis permitem que seus proprietários construam imóveis com metragens acima daquelas liberadas pelas leis de zoneamento. São eles que induzem o crescimento de uma determinada região. Na prática, para o setor imobiliário, esses títulos deixam um terreno mais produtivo, uma vez que é possível construir torres mais altas, com mais unidades à venda.


A Prefeitura ofereceu 50.000 títulos para potencializar terrenos residenciais, ao preço de R$ 1.548 cada, e 8.000 títulos para imóveis não residenciais, por R$ 1.769 cada. A expectativa era de uma arrecadação que ultrapassaria os R$ 105 milhões. Iniciado o leilão, entretanto, os títulos continuaram na prateleira. A Bovespa registrou apenas 10 transações, com 6.000 títulos residenciais, pelo preço original de face. Somada, a arrecadação foi de R$ 9,3 milhões. Entre os títulos não residenciais, não houve registro de negociações: a arrecadação foi zero.

Ao ser questionada sobre o fiasco do leilão, a Prefeitura havia informado, no fim de semana, que só poderia comentar o assunto na terça-feira, 17. A nota sobre o assunto só foi enviada nesta quarta, 18. " Apesar da arrecadação não ter alcançado a expectativa inicial, o recurso arrecadado é suficiente para a realização dos projetos previstos, não havendo nenhum tipo prejuízo para as transformações planejadas para a região. Assim que os projetos forem concluídos, um novo leilão será realizado para financiar as intervenções previstas na lei", diz o texto.

O mau humor do mercado imobiliário, decorrente da queda das vendas de novos lançamentos e de incertezas na economia como um todo, já era previsto pelo primeiro escalão da gestão Haddad como fator que poderia atrapalhar o leilão. Mas, como o secretário Franco recusou-se a dar satisfações sobre o fiasco, não há como a população dos bairros afetados saberem se há algum outro fator, na avaliação da Prefeitura, que possa ter influenciado o resultado ruim.

Entre as obras previstas para a área, há a construção de mais de 700 unidades habitacionais, aterramentos de fios, ações de drenagem e uma ponte que ligará Lapa a Pirituba, na zona norte. A Prefeitura esperava licitar as obras dessa ponte nos próximos 30 dias. O edital seria tanto do projeto executivo quanto das obras. Na nota, a Prefeitura não explica como ficará o cronograma dessa obra. 

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