Verão terá do prático ao luxo

Inspiração na alta costura dos anos 60, cores e conforto do esporte deverão ser incorporados à moda do dia a dia

Lilian Pacce, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2010 | 00h00

Enquanto as vuvuzelas gritavam pela cidade, a pergunta ao fim desta temporada da São Paulo Fashion Week era: o que vai pegar na primavera-verão 2010/2011? Os 39 desfiles apresentados na última semana apontam alguns caminhos que vão do primor da alta costura dos anos 60 à praticidade e ao conforto do esporte, num jogo amistoso entre luxo e performance.

Dos anos 60, as grandes referências são o estilo e as técnicas de Cristobal Balenciaga e as linhas retas de futuristas como André Courreges e Pierre Cardin. Alexandre Herchcovitch apresenta um de seus desfiles mais impactantes, com base na intensidade das cores, em edição irretocável. Os vestidos gravitam sobre o corpo e trabalham volumes nas costas e na construção das mangas. É uma silhueta confortável, que dispensa um corpo de top model, ao mesmo tempo em que confere elegância. Reinaldo Lourenço também respira esses ares em vestidos que realçam a textura de lindas flores de fita de organza bordada, somadas a recortes aerodinâmicos de automóveis.

Samuel Cirnansck trabalha modelos retos ou em A soltando a fantasia em bordados de pérolas e paetês com motivos de Halloween, tudo bem curtinho. Já André Lima prefere uma silhueta mais sereia, curvilínea, com incríveis babados orgânicos estruturados. E Gloria Coelho constrói seus vestidos como se fossem andares de um prédio rotatório inspirada na Dynamic Tower projetada para Dubai, misturando organza, cetim e elástico.

Enquanto esses nomes primam por materiais e técnicas de luxo, há quem prefira elementos bem esportivos com recortes anatômicos, tecidos-telas e neoprene. A Animale vem mais leve com trabalho interessante em telas, couro stretch e texturas. Já a Neon consegue fundir seu DNA de moda praia à roupa urbana tanto em estampas náuticas como em bodys e vestidos de neoprene como se fosse um Short John - uma ideia que pode se tornar um blockbuster e o perfeito substituto para os vestidos-bandagem, aqueles bem colados no corpo. Já Simone Nunes usa o neoprene floral, conferindo um certo romantismo a esta praia. Enquanto Oskar Metsavaht tinge a coleção de sua Osklen com toda a gama de azuis.

Cores. A sutileza das cores, aliás, deu o tom à temporada. Os flúos e neons começam a diminuir de tamanho e intensidade. Entram os tons pastel, tons de sorvete, tons de macarron. São suaves: rosa, azul, verde, amarelo, salmão e variações do nude, que vão do areia e rose até cáqui e caramelo. E mais: vale o total look monocromático e colorido. Para radicalizar, você pode usar os óculos da mesma cor (redondo de preferência), o cabelo (com aplique ou spray colorido), o delineador ou o batom (em azul, roxo, verde e cores inusitadas para boca).

O jeans também pede total look. Sim, pode usar camisa e calça jeans, jaqueta e calça jeans e assim por diante. Desde que no mesmo tom e lavagem, tipo conjunto. O jeans vem com lavagens manchadas e a Colcci propõe até uma versão transparente, que, na verdade, é uma organza com estampa do jeans. A cintura em geral está mais alta, especialmente nas modelagens secas, como a da calça capri ou cigarrete, shorts e saias retas.

Bacana ver como a renda pode ser interpretada: tem a versão laser no couro da Iódice, a versão bordada de algodão na Animale e o emocionante trabalho manual da renda renascença nos modelos de Ronaldo Fraga. Esse passeio de Ronaldo pelo Nordeste, que ele chama de "turista aprendiz" em alusão a Mario de Andrade, trouxe uma leveza à sua roupa digna dos 15 anos que a marca está comemorando.

PRESTE ATENÇÃO...

1. Volumes. Inspirados nos looks dos anos 1960, com remissão a designs de Cristobal Balenciaga e linhas retas dos futuristas.

2. Tecidos. O sintético neoprene é o material da hora, ao lado da organza e do linho.

3. Cores. Bem suaves ou em monobloco, total look. A sutileza das cores, aliás, deu o tom à temporada primavera/verão neste ano.

4. Jeans. Também pede total look: pode usar com camisa e jaqueta, mas com o mesmo tom e lavagem. A cintura em geral está mais alta.

5. Renda. Da mais artesanal à hi-tech: versão laser no couro, bordada de algodão e até o trabalho manual da renda renascença.

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