'Ver aquela multidão toda correndo me fez correr também'

Passageiros contam que ficaram assustados e em pânico, sem saber o que acontecia; alguns perderam até os sapatos

O Estado de S.Paulo

12 Janeiro 2013 | 02h01

Assustador. É assim que descreve o tumulto que presenciou ontem no Metrô o técnico Jonatan Ramos, de 25 anos. "Ver aquela multidão toda correndo, dentro do túnel, me fez correr também. Você acha que eu ia ficar ali parado?" Nessa correria, ele caiu e foi pisoteado no rosto e nas mãos. "Um cara me empurrou, a mochila caiu, mas a deixei no chão mesmo." Ele só reencontraria a sua bolsa minutos depois da confusão. "Na correria, várias pessoas perderam seus sapatos e sandálias, principalmente mulheres."

Segundo ele, a grade de metal que separa os dois sentidos do fluxo das pessoas caiu no chão.

Morador de Itaquera, na zona leste da capital, ele ainda tentou ir para o trabalho, na região da Paulista, depois do tumulto. Porém, foi dispensado por sua chefe, que o despachou para o Hospital Nove de Julho, onde passou por um exame. "Graças a Deus não precisei tomar ponto. Como eu ainda estava agitado, o médico me concedeu uma licença."

O consultor de viagens Luiz Souza, de 27 anos, conta que o desembarque na plataforma da Estação Paulista, na Linha 4-Amarela, ficou bastante congestionado, pois muita gente que estava na passagem subterrânea rumo à Linha 2-Verde resolveu correr para lá. "Fiquei com medo de sair do trem, porque tudo ficou bastante confuso."

Ambulâncias e carros do Corpo de Bombeiros foram vistos pela assistente financeira Mariana Bianchini, de 24 anos, na Rua Augusta, perto da saída da Estação Consolação. Os feridos que precisaram de assistência médica foram levados para o Hospital das Clínicas. A ViaQuatro levou nove pessoas para lá. O Metrô informou ter atendido dois usuários. Outros dois receberam auxílio na própria Estação Consolação.

A analista comercial Monique de Souza Patrocínio, de 21 anos, havia acabado de saltar do trem na Estação Paulista quando viu o tumulto. "Tinha uma barreira de pessoas, como se protegendo dos tiros que diziam que estavam ocorrendo. Eu fiquei assustada, perto do elevador. Vi uma mulher caída perto da escada rolante, acho que ela torceu o pé."

Aborto. Não é a primeira vez que pessoas ficam feridas no corredor de integração entre as Linhas 2-Verde e 4-Amarela, que costuma superlotar nos horários de maior movimento. Conforme revelou o Estado em março do ano passado, uma das escadas rolantes daquela passagem parou, fazendo com que seus ocupantes caíssem uns sobre os outros. Um deles era uma operadora de telemarketing de 20 anos, grávida de oito semanas. Ela entrou com um processo contra a ViaQuatro, afirmando ter abortado dos gêmeos por causa do acidente. A ocorrência foi em 14 de julho de 2011. / B.R. e C.V.

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