Venda do Matarazzo pega mantenedora da PUC-SP de surpresa

Segundo a Fundação São Paulo, negociações foram feitas em sigilo pela reitoria; Fundação será comunicada oficialmente nos próximos dias

Daniel Gonzales, do estadão.com.br

02 de junho de 2010 | 18h45

A informação sobre a compra do complexo onde funcionava o antigo Hospital Umberto Primo (ou Hospital Matarazzo), na região da Avenida Paulista, por parte da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e de um fundo de investimentos, revelada com exclusividade nesta terça-feira, 1º, pelo www.estadao.com.br, pegou de surpresa até mesmo a Fundação São Paulo - órgão ligado à Igreja Católica e mantenedor da instituição educacional.

 

Na tarde desta quarta-feira, a Fundação confirmou que realmente houve a negociação em torno dos imóveis, fechada pela reitoria. De acordo com a Fundação, ela mesma será comunicada oficialmente do negócio apenas nos próximos dias. Pela manhã, depois de tomar conhecimento da transação pelos jornais, a primeira reação da Fundação São Paulo havia sido informar, em nota, que não tinha conhecimento de trâmites envolvendo o hospital em seu nome.

 

De acordo com a confirmação dada à tarde, a reitoria da PUC assinou a compra do complexo em sigilo, depois de vencer licitação promovida pela Previ (Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil), a antiga proprietária dos prédios do hospital, em conjunto com um fundo empresarial. O processo teria sido feito secretamente porque haveria interesse de outras universidades no complexo de edifícios. Ainda não existem informações sobre as empresas que fazem parte de tal fundo.

 

Uma fonte ligada à transação afirmou que a reitoria da PUC tem "autonomia administrativa" para fechar negócios do tipo, mas tem que, obrigatoriamente, informar a Fundação São Paulo. Isso será feito, agora, pelo reitor da PUC, Dirceu de Mello, e posteriormente analisado pelo conselho superior da fundação - formando por bispos da Arquidiocese de São Paulo, pelo arcebispo da capital, Dom Odilo Scherer, e dois procuradores.

 

Uma reunião que estava marcada para a segunda-feira, convocada pela própria PUC, onde os projetos da universidade para o complexo, de 1904, seriam apresentados a entidades de bairro, de preservação histórica, ex-pacientes e interessados, acabou adiada por pelo menos mais uma semana.

 

Repercussão

 

O arquiteto Paulo Bastos, ex-integrante do Conselho Municipal de Patrimônio Histórico (Conpresp) e responsável pelo tombamento do hospital, em 1986, disse ontem que o mais importante é "preservar os edifícios de maneira adequada". Cerca de 1/3 do complexo deve ser ocupado pela PUC. O restante, pelo fundo empresarial que também participou do negócio. "O tipo de uso sempre precisa ser compatível com as características do imóvel".

 

"Extremamente positiva" foi como definiu a notícia da venda dos prédios o secretário estadual de Cultura, Andrea Matarazzo, que considerou a PUC-SP uma instituição "séria" para assumir parte do espaço. "Era um hospital belíssimo, e a revitalização seria muito boa".

 

Responsável pela ação que impediu que os edifícios do complexo fossem destombados, em 1999, o advogado Marcus Vinicius Gramegna declarou que se deve "bater palmas" para qualquer entidade disposta a preservar o conjunto - hoje bastante degradado.

 

ENTENDA O CASO

 

>> Depois de seis meses de negociações, o Hospital Umberto Primo, na região da Avenida Paulista, foi adquirido em conjunto pela PUC-SP e um fundo de investimentos, que paticiparam de concorrência aberta pela antiga proprietária, a Previ (Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil)

 

>> Ontem, a Fundação São Paulo, mantenedora da universidade, informou que ainda não havia sido comunicada da transação. Confirmou, porém, que houve a negociação por parte da reitoria da PUC

 

>> Os imóveis devem ser ocupados pela universidade e por espaços comerciais. A posse e reforma ainda podem levar meses

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